Grupo de investigadores estrangeiros explora um espólio de inéditos do escritor. Milhares de folhas escritas por Fernando Pessoa, são material para “50 anos de trabalho”.
Da crítica ao salazarismo à prosa desconhecida de Álvaro de Campos são milhares de folhas escritas por Fernando Pessoa, guardadas religiosamente na Biblioteca Nacional.

Jerónimo Pizzaro, professor da Universidade dos Andes, titular ca Cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Colômbia, revela que há mais escritos por editar de Fernando Pessoa, do que inicialmente se pensava. “Há muito material, é uma fonte de trabalho para 40, 50 anos. É difícil esgotar a riqueza deste espólio. Há em todos os géneros, poesia, prosa…”, conta Jerónimo Pizarro.

“O plano que temos é continuar a publicar o que Pessoa escreveu nos últimos cinco anos de vida. Isso significa dar a conhecer o muito que escreveu sobre esoterismo”, exemplifica. No espólio encontram-se também muitos textos de índole política, críticos do salazarismo.

Depois de já ter contribuído com oito volumes para a melhor compreensão da obra de Fernando Pessoa, Jerónimo Pizarro trabalha agora na edição de novos inéditos. Em junho foi lançada uma nova publicação da prosa de Álvaro de Campos, com a coordenação do italiano António Cardiello.

Neste trabalho, teve a ajuda de outros pessoanos: o argentino de ascendência italiana Patricio Ferreno, António Cardiello e canadiana Pauly Bothe.

O autor que não se esgota fascina estrangeiros que são agora também portugueses. Três línguas, uma letra difícil de decifrar, papéis soltos onde convivem por vezes escritos de mais do que um dos heterónimos, é assim o espólio de Fernando Pessoa.