Full Contact

A modalidade surgiu nos inícios dos anos 70, nos EUA. Em finais de 80, inícios de 90, começaram a usar-se também as técnicas de Grappling, Submission Full Contact, Judo, Jiu-Jitsu e Luta Livre, surgindo assim o Ultimate Full Contact, que muita gente designa por Vale Tudo.

“O pessoal que procura o Full Contact tem mais interesses competitivos, de desporto. Não está muito a pensar se vai andar a defender-se na rua ou a bater em alguém”, revela Fernando Loio. Nas aulas de Full Contact pode praticar-se Boxe, Kickboxing, Thai Boxing (boxe tailandês), Taekwondo, Luta livre e MMA (Mixed Martial Arts).

Para além de competições, os praticantes da modalidade têm feito estágios, cursos e ações de formação no estrangeiro, nomeadamente na Rússia, França, Bélgica e Inglaterra.

Fernando Loio treina crianças a partir dos cinco anos. “Torna-se interessante porque uma pessoa consegue ver a evolução deles e concretizar certos objectivos. É motivante, para eles e para o treinador”, explica o Mestre.

Em Portugal “ainda há muitos preconceitos, porque é um desporto para homens. Há muita gente que não têm o mínimo de conhecimentos das artes marciais e pensa que isto é muito violento. Pensam que andamos todos os dias à pancada”. No entanto, sustenta: “não é nada disso e até é bastante exigente. É necessário associar a condição física à parte psíquica, porque tem muita técnica e exige bastante treino para conseguir coordenar isso tudo”, afirma o presidente da Federação.

Apesar de ser um desporto com mais adeptos masculinos, Fernando Loio relembra uma praticante que chegou a competir e foi campeã da Europa, mas saiu de Portugal e deixou de praticar a modalidade.

Para mostrar a evolução dos atletas existem exames de graduação, aos quais correspondem cinturões diferentes. Até chegar a cinturão negro, o percurso demora cerca de três anos. A partir daí têm de se fazer ações de formação, cursos de treinadores e, nos níveis mais avançados, a atribuição é por reconhecimento e mérito. O nível máximo que se pode atingir é 10º Dan.

Cada vez há mais praticantes da modalidade: miúdos e graúdos. “Hoje a mentalidade já mudou um bocado, os pais já procuram mais pôr os miúdos a treinar estas atividades”, sublinha Fernando Loio. A faixa etária entre os 15 e os 25 anos é a que mais praticantes tem.

Há várias associações de Full Contact no território nacional, incluindo nas ilhas.

Mestre Fernando Loio
Mestre Fernando Loio

Iniciou a prática de artes marciais aos sete anos, com o Taekwondo, sempre dedicado à competição. Praticou várias artes marciais até chegar ao Full Contact. Começou os treinos em Lisboa e em 1988 mudou-se para viseu, altura em que fundou a Associação Full Contact de Viseu. Já ganhou campeonatos em Taekwondo, Kickboxing, Boxe, Pankration e Free Fight. Fernando Loio de¬cidiu vir para Viseu por ser um distrito onde ainda não havia nenhuma arte marcial. “Fui eu que trouxe o Taekwondo para Viseu e, na altura, o Pancrase também e o Boxe. Em Viseu atualmente já há outras modalidades, alguns até são atletas que passaram aqui pela associação, que estão a lecionar em vários sítios”, revela.

A Federação Nacional de Full Contact surgiu mais tarde, quando a Associação de Full Contact de Viseu e outras associações decidiram juntar-se para fundar a federação.

“O objetivo agora é procurar trei¬nar o mais possível e também criar e manter os atletas. Temos bons praticantes, bons atletas e é importante dar-lhes atenção para ver se conseguem ir longe na carreira competitiva, no Full Contact”, sublinha o mestre.

Adaptado do artigo publicado na edição impressa da Descla de abril de 2012