O lince ibérico vai voltar à Serra da Malcata no máximo daqui a cinco anos, prevê o ministro do Ambiente. Fotografia: DR

Três novos linces vão ser libertados esta sexta-feira no concelho de Mértola, no âmbito do projeto “Recuperação da Distribuição Histórica do Lince Ibérico (Lynx pardinus) em Espanha e Portugal. Os nomes dos felinos, Mel, um macho, e Mesquita e Malva, duas fêmeas, foram votados pela população e homenageiam o património local. O evento vai contar com a presença da Secretaria de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, e a participação de cidadãos residentes entre os quais alunos de escolas locais.

A iniciativa segue-se à libertação, recentemente, de Macela, uma outra fêmea de lince ibérico. À semelhança desta, os três animais vão integrar o núcleo de linces já estabilizados no concelho e fazem parte do grupo de nove felinos que está previsto devolver ao ambiente natural ao longo do ano de 2016.

Os três linces nasceram todos na primavera de 2015 e por uma razão de identificação os seus nomes iniciam-se pela letra “M”, explica o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF). “Desta vez além de adotarem denominações da vegetação natural como no caso da benéfica Malva, uma das fêmeas identificar-se-á com um nome simbólico no concelho – Mesquita”, revela o organismo.

Mel, por sua vez, remete para o tradicional produto das regiões que preservaram zonas de matos mediterrânicos diversificados – habitat natural do lince-ibérico -, como acontece em Mértola. Há muito que a apicultura é uma importante atividade da região, juntando ainda hoje saberes ancestrais e novos conhecimentos técnico-científicos para melhor produção de qualidade de mel e outros produtos das colmeias.

De acordo com o ICNF, os três linces vão ser libertados pelo método de “solta dura”, fora de cercado de adaptação, “complementando a distribuição dos linces já residentes na zona desde 2015”. Os animais são todos equipados com emissor que permite o seu seguimento e monitorização dos seus movimentos no terreno.

“O seu desenvolvimento e evolução de comportamentos naturais são observados por videovigilância e a sua capacidade de caçar coelho é avaliada antes de serem libertados”. Estes linces, destinados à reintrodução e à vida selvagem, não têm contacto direto com os tratadores, para não haver habituação aos humanos.

O projeto “Recuperação da Distribuição Histórica do Lince Ibérico (Lynx pardinus) em Espanha e Portugal (LIFE+10/NAT/ES/000570), financiado pelo programa comunitário, reuniu esforços entre parceiros institucionais e da sociedade civil para conseguir o retorno da espécie a várias áreas da Península Ibérica e assume-se como uma oportunidade de “revitalização destes territórios”, destaca o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

“O lince é hoje uma espécie emblema e também uma espécie chave dos ecossistemas. A sua conservação beneficia muitas outras espécies selvagens e potencia atividades humanas que conciliam o uso e a preservação de habitats naturais”, explica o ICNF, realçando que a reintrodução “é um programa de longo prazo que requer um reforço regular” de animais e apoio da sociedade “até a população se tornar viável e autossustentável”.

Por razões técnicas, os locais de libertação vão seguindo “a evolução da estabilização de territórios dos linces anteriormente libertados na região e das melhores condições de tranquilidade e alimento disponível”, adianta o organismo.

Recentemente o ICNF revelou que a a Serra da Malcata, nos distritos de Castelo Branco e Guarda, outra das áreas de distribuição histórica do lince ibérico, ainda não cumpre “todos os requisitos necessários” para o regresso dos felinos. Em causa está o número de coelhos por hectare a que o programa ibérico de reintrodução de lince obriga. O organismo não apontou uma data para a reintrodução dos animais naquela serra, mas sunlinhou tratar-se de “uma das áreas de eleição”.