Fotografia: DR

A apresentadora de televisão Cristina Ferreira vai estar esta terça-feira à tarde na Assembleia da República para falar de “liderança no feminino”. No Dia Internacional da Mulher, uma das caras mais conhecidas da televisão portuguesa foi convidada pelo CDS a abordar o tema do empreendedorismo.

A sessão, intitulada “Liderança no feminino. Quando elas fazem”, vai decorrer no Salão Nobre da Assembleia da República. Além de Cristina Ferreira, também a enóloga Sandra Tavares Silva, a maestrina Joana Carneiro e a administradora da Caixa Geral de Depósitos Maria João Carioca vão estar presentes.

Numa altura em que o CDS se prepara para ter a primeira mulher como líder do partido, a abertura da conferência, às 14:00 horas, vai estar a cargo de Assunção Cristas, que deverá ser eleita presidente do partido já este fim de semana, no congresso de Gondomar

Também as deputadas Ana Rita Bessa, que integra a subcomissão parlamentar de igualdade e não discriminação, e Teresa Caeiro, vice-presidente da Assembleia da República, vão intervir na sessão.

Os 106 anos do Dia Internacional da Mulher

A história deste dia começa oficialmente em 1909, nos Estados Unidos, quando o Partido Socialista Americano assinalou o Dia da Mulher no último domingo de fevereiro. No ano seguinte, a Conferência Internacional Socialista da Mulher decidiu criar o Dia Internacional da Mulher, celebrado pela primeira vez a 19 de março de 1911.

O último domingo de fevereiro foi recuperado em 1913 e 1914, quando se comemorou o Dia internacional da mulher russa contra a guerra, mas, pela mesma altura, muitas mulheres reuniram-se na Europa para apoiar o dia oito de março, que acabaria por ser adoptado pelas russas em 1917, ano da revolução bolchevique e em vésperas do fim da Primeira Guerra Mundial, quando realizaram uma nova greve para exigir paz e pão. Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) instauraram definitivamente o Dia Internacional da Mulher no dia oito de março.

Os dados da ONU revelam que, entre 1995 e 2015, o número de mulheres deputadas duplicou, passando para os 22% e que metade das mulheres em idade de trabalho estão, de facto, a trabalhar. Nos homens os valores rondam os 75%. Por todo o mundo, as mulheres ganham em média menos 24% do que os homens e apenas são diretoras executivas (CEO) entre as 500 empresas listadas pela revista Forbes em 2014, ou seja, 5%. No entanto, é de assinalar o aumento face a 1998, quando havia apenas uma mulher nesse cargo de chefia.

As Nações Unidas destacam ainda que quase todos os países desenvolvidos conseguiram a paridade de género nas escolas primárias e que a alfabetização subiu dos 76% em 1990 para os 85% em 2013. Ainda assim, as mulheres representam 60 % dos iletrados. O Conselho de Segurança da organização criada com o objetivo de assegurar a paz mundial aprovou em 2000 uma resolução na qual reconhece que as guerras têm consequências diferentes sobre homens e mulheres e sublinha o papel destas em negociações de paz. No entanto, entre 1992 e 2011, apenas 9% dos negociadores eram do sexo feminino. Os dados da ONU revelam ainda que uma em cada três mulheres é vítima de violência sexual ou física em todo o mundo. A maioria das agressões parte de um parceiro intimo. O seguinte vídeo – em inglês – revela os traços gerais do estudo sobre desigualdade de géneros divulgado em 2014 pelo Fórum Económico Mundial.

Saias nos semáforos e balas de borracha

O mundo tem ainda muito que avançar em matéria de igualdade de géneros, mas as iniciativas mais ou menos insólitas organizadas em diversos países contribuem, certamente, para abrir mentalidades ou, pelos menos, chamar a atenção dos media e obrigar à reflexão sobre o papel das mulheres na sociedade. Esta terça-feira, a vice-diretora executiva Lakshmi Puri vai abrir a sessão da bolsa de valores de Nova Iorque quando forem às 9:00 da manhã naquela cidade (14:00 horas em Portugal Continental).

Ontem, nas vésperas do Dia Internacional da Mulher, a Câmara de Valência, em Espanha, decidiu colocar saias nos bonecos dos semáforos de 20 cruzamentos. Segundo Isabel Lozano, conselheira para a Igualdade na autarquia, o objetivo dar visibilidade à mulher enquanto se fazem melhoramentos na cidade, como a substituição dos semáforos por novos de leds.

Estes e outros outros eventos saem bem em qualquer notícia, mas pouco dizem às mulheres que, em tantos outros países, não podem comemorar livremente o seu dia ou não veem forma de conquistar mais direitos. No domingo, a polícia turca disparou balas de borracha contra as mulheres que desafiaram a proibição do governador da cidade de Istambul de se manifestarem por ocasião da efeméride. O grupo queria alertar para questões como a violência de género ou a discriminação no trabalho.

Na Polónia, centenas de mulheres desceram às ruas da capital, Varsóvia, para defender o direito ao aborto, reconhecido no país apenas em situações de perigo de vida para a mãe. O protesto ocorre num momento em que várias associações temem que o partido ultraconservador no poder – Partido da Lei e da Jusiça – possa endurecer ainda mais a lei sobre o aborto. As ativistas exigiram ainda a abertura de mais infantários e escolas pré-primárias, e mais emprego e melhores salários para as mulheres.

Para último deixamos o caso do Paquistão, um dos países com maior desigualdade de géneros. Em Carachi, cidade mais populosa do país, um grupo de raparigas entre os 8 e os 17 anos juntaram-se num grupo de boxe e estão dispostas a fazer do pugilismo o seu futuro. A falta de equipamento não reduz a ambição das jovens, que ainda em janeiro participaram nos Jogos Sul-Asiáticos.

A paixão pela modalidade é já, em muitos casos, um assunto de família, com laços de parentesco entre pugilistas e treinadores. Não faltam, por isso, candidatas a seguir os passos de Syed Hussain Shah, que em 1988 conquistou o bronze olímpico em Seoul, na única medalha que o Paquistão alguma vez alcançou no boxe. Não estamos com isto a sugerir qualquer tipo de violência como forma de conquistar mais direitos para as mulheres, apenas a dar um exemplo de resiliência e vontade, sempre inspirador, em especial neste dia.

 

 

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