Inauguração da exposição temporária "Museu Nacional Grão Vasco"

O Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu, que esta quarta-feira iniciou as comemorações do centenário, ambiciona atingir este ano os 100 mil visitantes, valor que “constituiria uma belíssima prenda”, confessou o diretor, Luís Agostinho Ribeiro, em declarações à agência Lusa.

O responsável está confiante no alcance da meta, tendo em conta os registos dos primeiros dois meses do ano – que, contudo, não revelou – e as várias iniciativas comemorativas que vão decorrer ao longo de 2016. “Penso que o alcançaremos, se é que não o vamos ultrapassar”, disse Agostinho Ribeiro.

Em 2015 a instituição contou 86 mil entradas. A localização, a qualidade do acervo e a recente designação de museu nacional garantem, segundo o diretor, “atratibilidade suficiente para o aumento do número de visitantes”.

Entre os motivos para visitar o museu, Agostinho Ribeiro destacou os chamados Tesouros Nacionais, entre os quais as pinturas de Vasco Fernandes, mais conhecido por Grão Vasco, em particular a “obra que é o rosto do próprio museu”, “S. Pedro”, pintado em 1529.

“Foi uma encomenda de um grande bispo do renascimento português, D. Miguel da Silva. Talvez esta constitua a obra referencial, tanto mais que é uma obra-prima do grande pintor, incontornável no conhecimento e na interpretação da História da Arte em Portugal”, justificou.

Também submetidas a uma proteção especial para acautelar a sua preservação estão a escultura em madeira dourada “Santa Ana e a Virgem”, de Claude Joseph Laprade (1732), e o autorretrato de Columbano Bordalo Pinheiro, “No meu atelier” (1884). Na opinião de Agostinho Ribeiro, estas são três obras que exemplificam a “diversidade e a qualidade intrínseca” do acervo do Museu Nacional Grão Vasco.

O diretor do museu fala de vários desafios que se colocam à instituição ao fim destes 100 anos de vida. “Por um lado, manter aquilo que de bem tem vindo a fazer”, como “a conservação, a preservação, o estudo, a classificação das obras de arte e depois expô-las e divulgá-las”, apontou o responsável.

Por outro lado, é importante a “afirmação dos museus na contemporaneidade”, uma vez que não podem ser “só esse repositório do património que salvaguarda, que preserva, que estuda e que divulga”. Para Agostinho Ribeiro, um museu tem de “projetar a contemporaneidade” e constituir-se “como um centro de dinamização e de ação cultural”, que se abre a diversos públicos e é pluridisciplinar. “Já não trabalhamos para a comunidade, trabalhamos com a comunidade nestas parcerias que temos vindo a desenvolver com as entidades que fazem o todo da sociedade viseense”, sublinhou o diretor.

Para o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, o Museu Nacional Grão Vasco é “uma âncora da cidade” que faz parte da estratégia ambiciosa que o município tem para o património cultural e que passa por descobrir o seu património material e imaterial, como o objetivo de obter a classificação de Património da Humanidade da Unesco. “Esse é um objetivo a oito anos, que o município assume”, avança o autarca.

As comemorações do centenário do Museu Nacional Grão Vasco começaram esta quarta-feira de manhã com uma missa solene presidida pelo bispo de Viseu, Ilídio Leandro, na Sé, e prosseguiram de tarde, com o lançamento de uma emissão filatélica alusiva aos 100 anos da instituição, numa parceria com os CTT Portugal. Com o mesmo propósito foi lançada uma peça da Vista Alegre, esta em parceria com o Grupo Visabeira.

Seguiu-se a inauguração da exposição temporária Museu Nacional Grão Vasco e o lançamento do vinho Grão Vasco, Reserva do Museu 1996, numa parceria com a Sogrape Vinho. Os festejos voltaram à Sé às 21:00 horas, com um concerto pelo Coro do Teatro Nacional São Carlos e um Requiem de Gabriel Fauré, em parceria com a Fundação Millenium BCP.