Fotografia: DR
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A Câmara Municipal de Estremoz candidatou na terça-feira a Produção de Figurado em Barro de Estremoz a Património da Humanidade, entregando o respetivo dossier à Comissão Nacional da Unesco. Foi a última etapa de um processo iniciado em 2012 que incluiu a promoção, investigação e produção de conhecimento, e que teve por objetivo a inscrição dos vulgarmente chamados “Bonecos de Estremoz”, arte emblemática desta cidade alentejana, na Lista Representativa de Património Cultural Imaterial da Humanidade.

O primeiro passo para a conclusão deste objetivo aconteceu a 26 de março de 2014, quando a Assembleia Municipal de Estremoz declarou a Produção de Figurado em Barro de Estremoz como Património de Interesse Municipal.

Os estudos continuaram e o Plano de Valorização e Salvaguarda do Boneco de Estremoz começou a ser colocado em prática, nomeadamente no âmbito da investigação da produção bonequeira atual e das matérias-primas dos séculos XVIII e XIX da coleção Reis Pereira. Em simultâneo realizaram-se conferências, exposições temporárias, atividades educativas e renovou-se a exposição permanente do Museu Municipal, entre outras iniciativas.

Já em 20 de abril de 2015, com a publicação do Anúncio n.º 83/2015 da Direção-Geral do Património Cultural, concretizou-se a inscrição da Produção no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, estando todo o processo disponível na página Internet daquele Inventário, em www.matrizpci.dgpc.pt. A 26 de junho desse mesmo ano, fundou-se o Centro Unesco para a Valorização e Salvaguarda do Boneco de Estremoz, no Museu Municipal .

Findo este período burocrático e de estudos, no qual o município de Estremoz teve como parceiros também a Direção Regional da Cultura do Alentejo, o processo de candidatura foi entregue no dia 22 de março ao Embaixador da Comissão Nacional da Unesco, Ministro Plenipotenciário Jorge Lobo de Mesquita.

O processo de candidatura envolveu apenas a recursos técnicos e humanos da Câmara Municipal, em estreita colaboração com o Grupo de Trabalho da Comissão Nacional da Unesco, através do seu Comité para o Património Cultural Imaterial, “colaboração que o Município de Estremoz reconhece e agradece, pelas mais valias que acrescentou à candidatura”, sublinha a autarquia.

O Boneco modelado ao modo de Estremoz é uma produção artística de caráter popular, com mais de 300 anos de história, maioritariamente executada por mulheres nos primeiros séculos da arte, daí não ser considerado um Ofício, mas uma simples curiosidade, que consiste na modelação de uma figura em barro cozido, policromado e realizado manualmente, segundo uma técnica com origem pelo menos no século XVII, assente na montagem dos elementos bola, placa e rolo.

Depois de efetuado o corpo da peça (cabeça, tronco e membros), e a cabeça colocada em molde para moldar a face, o boneco é vestido por intermédio de placas recortadas na forma de roupas. Depois de secado e cozido, é pintado, envernizado e novamente deixado a secar. Como acontece desde as suas origens, o seu destino é comercial. “Funcionalmente, nos primórdios, o destino era religioso (imaginária). Hoje assume características decorativas e simbólicas”, revela a Câmara Municipal de Estremoz.

Atualmente trabalham na arte Afonso Ginja, Célia Freitas, Duarte Catela, Fátima Estróia, Irmãs Flores, Isabel Pires, Jorge da Conceição, Maria Luísa da Conceição, Miguel Gomes e Ricardo Fonseca.