O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, encerrou ontem a cerimónia da inauguração da Cidade do Futebol, em Oeiras, com uma mensagem de satisfação pela dimensão do projeto e um apelo à Federação Portuguesa de Futebol (FPF), dizendo que “os portugueses, que estão a sair de profunda crise, apenas compreenderão este projeto se tiver a missão de servir Portugal”.

Para o chefe de estado, tal missão terá que passar “pela pedagogia que faça nos mais jovens e nos mais velhos, pelo apelo à prática desportiva, pela inclusão social que fomente, pela afirmação do amor próprio nacional. Para um país que não é rico esta Cidade do Futebol será socialmente aceite, apreciada e apoiada se, como eu espero, contribuir para cultivar estes valores”.

Marcelo Rebelo de Sousa manifestou o desejo de “que esta Cidade do Futebol seja um reencontro nacional” e sublinhou o papel agregador do futebol na sociedade portuguesa e a “dimensão simbólica que as seleções nacionais assumiram, juntando hino e bandeira, atravessando três regimes diferentes, unindo os portugueses, independentemente da ideologia de cada um”.

A Cidade do Futebol foi inaugurada esta quinta-feira, no dia em que a FPF festejou 102 anos. O presidente da Federação, o primeiro a discursar, Fernando Gomes, estava emocionado. “Abrimos portas a um tempo novo”, declarou, lembrando que este era um sonho com meio século de vida.

Há exatamente 50 anos, os comandados de Otto Glória também colocaram o nome de Portugal no mundo. Era o tempo de nomes como José Pereira, Morais, Alexandre Baptista, Vicente, Hilário, Jaime Graça, Mário Coluna, José Augusto, Eusébio, Torres, Simões e vários outros que conquistaram o bronze no Mundial da Inglaterra”, recordou o dirigente.

“Mas aqui chegados, importa saber recomeçar. Não a partir de uma página em branco como nos sugeriu Sophia de Mello Breyner, outro nome imortal, mas a partir de planeamento, compromisso, competência, entrega e espírito de vitória”, realçou Fernando Gomes.

O presidente da FPF aproveitou o momento para desafiar a Câmara de Oeiras a apoiar a etapa seguinte, a construção de um pavilhão para as seleções de futsal, “a segunda modalidade mais praticada em Portugal”, ao que o presidente da autarquia, Paulo Vistas, respondeu positivamente.

O grande ausente na cerimónia de inauguração foi o primeiro-ministro, António Costa, que por se encontrar doente foi substituído pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues. “É um momento especial para o futebol e o desporto”, começou por dizer o governante, lembrando depois Johan Cruijff, recentemente falecido, para quem “este é um jogo que se joga com cabeça e usa os pés”.

“A Cidade do Futebol servirá para a promoção do talento nacional, para afirmar a qualidade do desporto português”, sublinhou o ministro, manifestando a intenção de reforçar a presença do desporto nas escolas.

Antes da inauguração, o acesso ao edifício da Cidade do Futebol mais parecia a passadeira vermelha na noite dos Oscars, tantas eram as estrelas que por lá passaram, com destaque para Rui Costa, Toni, Nuno Gomes, Augusto Inácio, Bruno de Carvalho e Luís Filipe Vieira.

Todos ouviram o citado alerta do Presidente da República, que se referiu aos atletas como “embaixadores da nossa pátria no mundo”. “É para cuidar desses embaixadores que existe a nossa Federação, privada, mas de utilidade pública. É para proporcionar a estes nossos embaixadores do mundo as melhores condições possíveis que hoje nasce esta Cidade do Futebol”, referiu Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe de Estado reconheceu ainda o mérito do presidente da Federação Portuguesa de Futebol e destacou o apoio do atual governo, mas relevou o “papel fundamental” do executivo anterior na concretização desta obra.