Para o júri, Eduardo Lourenço é "uma voz de esperança" em "tempos de incerteza"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, vai entregar o Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural ao ensaísta Eduardo Lourenço no próximo dia 18 de maio, às 18:00 horas, no auditório do Casino Estoril, em Lisboa.

Esta é a primeira edição do galardão instituído pela Estoril Sol, em parceria com a editora Babel, em homenagem à memória do escritor e político Vasco Graça Moura, falecido em abril de 2014. O Prémio, com periodicidade anual, tem o valor pecuniário de 40 mil euros.

O vencedor foi anunciado no dia 3 de janeiro, com Eduardo Lourenço a ser escolhido por unanimidade por um júri presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, e ex-presidente do Tribunal de Contas e do Centro Nacional de Cultura.

Em ata, os jurados destacaram o “percurso intelectual do premiado”, que “corresponde inteiramente aos objetivos definidos aquando da criação deste prémio”. “Trata-se de uma personalidade multifacetada que se singulariza pela coerência entre um pensamento independente e aberto e uma permanente atenção à sociedade portuguesa, à sua cultura, numa perspetiva universalista, avultando a reflexão sobre uma Europa aberta ao mundo e nunca fechada numa qualquer fortaleza encerrada no egoísmo e no preconceito”, escreveram.

O júri realçou ainda que “em tempos de incerteza trata-se de uma voz de esperança, que apela ao diálogo e à paz, com salvaguarda da liberdade de consciência e do sentido crítico. A sua heterodoxia mantém-se viva e atual, em nome do compromisso cívico com a liberdade e a responsabilidade solidária”.

Vasco Graça Moura manifestou por diversas vezes a sua admiração pela personalidade de Eduardo Lourenço como intelectual e cidadão, em especial quando foi o principal promotor da candidatura vencedora do ensaísta ao Prémio Europeu de Ensaio Charles Veillon (1988), a propósito da publicação de Nós e a Europa ou as duas razões.

Além de Guilherme d’Oliveira Martins, o júri foi constituído pela catedrática de Literatura Maria Alzira Seixo, os escritores Liberto Cruz e José Manuel Mendes, o ensaísta Manuel Frias Martins, Maria Carlos Loureiro, da direção-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, e ainda José Carlos Pereira, em representação da Babel, e Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril Sol.

Eduardo Lourenço, que completa 93 anos no próximo dia 29 de maio, é um dos mais reconhecidos ensaístas portugueses, e ao Prémio Vasco Graça Moura – Cidadania Cultural junta outras distinções, como o Prémio Pessoa, em 2008, e o Prémio Camões, em 1995.