João Pereira. Fotografia Federação de Triatlo de Portugal

Londres’2012 poderia ter marcado a estreia de João Pereira nos Jogos Olímpicos, mas o jovem das Caldas da Rainha falhou a qualificação por pouco. Tinha então 24 anos, seis na modalidade, um início tardio e, também por isso, um caso de sucesso, que o próprio explica por “alguma aptidão para a modalidade” e um treino diário contínuo, essencial numa modalidade de endurance.

Aos 18 anos não tinha um desporto regular, de natação – uma das vertentes do triatlo – sabia o básico. Começou no Alhandra, clube que representou até se mudar para o Benfica, onde, surpreendentemente, não sente a pressão dos resultados. Antes da última prova de apuramento para os Jogos de Londres, tinha mais certezas de ir ao Rio de Janeiro do que à capital britânica. “Não tinha maturidade suficiente”, confessou, em 2014, numa entrevista ao jornal Record. Nesse ano conquistou o bronze na etapa de Londres do Campeonato do Mundo (WTS), entrando para os dez melhores do ranking mundial, e depois a prata na prova de Chicago, a apenas oito segundos do espanhol Javier Gomez Noya, tetracampeão mundial.

No final de 2014, a Federação Internacional de Triatlo (ITU) haveria de considerá-lo a maior revelação mundial do ano, uma “estrela ascendente” da modalidade. “Atenção malta, há um novo miúdo na ‘cidade’ e ele pode correr”, escreveu a ITU, destacando a subida do 18º para o 5º lugar do ranking mundial. Em 2015 terminou o ano como 8º melhor atleta do mundo, depois de vencer a etapa da Taça do Mundo de Triatlo, em Alanya, na Turquia, e do 8º lugar nos Jogos Europeus, que se realizaram em Baku, no Azerbaijão.

João Pereira
João Pereira tinha 18 anos quando começou a praticar triatlo

Aos 28 anos, João Pereira vai para o Rio de Janeiro sem metas definidas. “Mais do que no resultado penso em lá chegar e conseguir sentir-me bem em prova. Sentir, no fim da prova, que dei o meu máximo”, confessa, aparentemente sem ambição, para logo depois apontar aos oito primeiros. “Alcançar o top 8 e com isso o diploma olímpico seria algo que me deixaria muito feliz e me encheria de orgulho”.

Para triunfar em solo brasileiro, o melhor triatleta português sabe que precisa de chegar ao dia da prova com “uma relação peso/potência adequada” e durante a mesma vai ser importante hidratar-se bem “sem cair em excessos”. O resto é técnica, e talento. “Conseguir nadar no grupo da frente, aguentar o ciclismo com o mínimo desgaste possível e ser dos mais rápidos a correr”.

Para João Pereira, estar nos Jogos Olímpicos é sinónimo de “orgulho” e “motivação”, mesmo que o país que representa tenha “pouco cultura desportiva além do futebol”. “É preciso treinar muito para conseguir bons resultados para que consigamos ter visibilidade no estrangeiro e impormo-nos como atletas internacionais, só assim é possível ter apoios de qualidade com patrocínios que nos ajudem e nos deem ferramentas que nos permitam crescer ainda mais dentro da modalidade”, admite.

Desistir é uma palavra que não conhece nem aconselha aos que o veem como ídolo. “Se querem fazer uma carreira no triatlo acreditem em vocês mesmos e sigam esse sonho, treinem com afinco, agarrem nas adversidades e motivem-se com elas”, remata, antes da confissão que distingue os grandes. “Eu próprio ainda estou a treinar para ser melhor”.