Na Serra de Leomil, Moimenta da Beira, as enormes torres eólicas eram apenas isso: grandes estruturas metálicas a pontuar a paisagem, tecnologia de ponta em meio rural, companhia enigmática de pastores. Mas desde que dois dos mais conceituados artistas portugueses da atualidade entraram no Parque Eólico do Douro Sul, nada ficou como dantes.

Joana Vasconcelos e Vhils foram convidados pela Âncora Wind Energia Eólica SA, gestora do parque, para assinarem aquelas que já são consideradas as duas maiores obras de arte contemporânea do mundo em altura, planificando e desenhando os elementos que revestem duas torres eólicas, com cerca de 100 metros de altura e 50 metros de envergadura (pá).

O projeto, intitulado WindArt, celebra a construção do Parque Eólico do Douro Sul, um dos maiores da Europa, com 150MW de potência instalada, e visa explorar a integração das torres eólicas na paisagem circundante, humana e natural, numa simbiose que tenta promover esta região do país.

Joana Vasconcelos fez uma dinâmica mescla de cores – vermelho, verde, amarelo, azul e preto – que apaga o frio do aço e remete para a energia gerada pelos ventos da serra, num desenho pontuado por estrelas que exaltam a altitude e as excecionais condições para a observação do céu noturno.

“A novidade e o facto de ser num sítio bastante inesperado fizeram com que o meu interesse fosse muito grande e com que trabalhasse com grande afinco”, confessa a artista, que sublinha que há poucos projetos artísticos com estas características: “primeiro, que seja obra pública, segundo, que tenha a dimensão que tem a turbina eólica, e terceiro, a originalidade”.

O desenho de Vhils, mais monótono, é tão ou mais expressionista, ou não fosse ele um dos maiores artistas mundiais nesse campo. Alexandre Farto desenhou padrões e gráficos que “simbolizam a riqueza de texturas naturais de espécies de árvores da região, estabelecendo uma ligação com os elementos que dão vida e energia ao próprio local”. Entre esses elementos de cor preta, emerge a forma de um olho humano, “que visa representar, simbolicamente, um farol, que humaniza e ilumina o espaço à sua volta”, explica.

“Com o WindArt Project quisemos associar a energia produzida pelas nossas torres à energia de dois dos maiores dos mais reconhecidos artistas portugueses contemporâneos”, refere o presidente do Conselho de Administração da Ancora Wind Energia Eólica SA, José Bento.

O presidente da Câmara Municipal de Moimenta da Beira, José Eduardo Ferreira, salienta que a vila, e em particular a serra, reúnem condições “únicas de vento num lugar de extrema beleza. “É por isso possível aliar uma vez mais a arte e a cultura ao nosso desenvolvimento, através do território e dos produtos. É isso que estamos convencidos que o projeto da arte nos ajudará a conseguir”.