Pormenor da peça "Ricardo III", encenada por Tónan Quito. Fotografia: Teatro Nacional D. Maria II

Shakespeare, Molière, Simon Stephens e Tchekhov são alguns dos autores cujas obras vão ganhar vida nos palcos dos Festivais Gil Vicente, que começam hoje em Guimarães e decorrem até ao dia 11 de junho, com textos clássicos e atuais encenados por diversas companhias nacionais e internacionais.

A primeira peça sobe ao palco às 21:30 no Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor (CCVF). Quatrocentos anos após o desaparecimento de Shakespeare, o encenador Tónan Quito recupera “Ricardo III” com um elenco que atravessa gerações e põe em cena uma trama muito familiar que não deixou o público nem a crítica indiferentes. “Ricardo III” venceu o Globo de Ouro na categoria de Melhor Peça/Espetáculo, depois de ter sido distinguido nos prémios da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) deste ano, com Miguel Moreira a receber o prémio de melhor ator de teatro.

Na sexta-feira, à mesma hora, mas na Black Box da Plataforma das Artes e da Criatividade, realiza-se o “Ciclo Novas Bacantes”, de João Garcia Miguel, “uma peça que é um desafio às convenções”, avança Bruno Barreto, assessor de imprensa dos Festivais Gil Vicente. Arrebatada pelas possibilidades do texto “As Bacantes”, de Eurípides, a companhia João Garcia Miguel procurou um modelo de abordagem com várias vias secundárias, que contivessem os fins e recomeços, as questões do corpo e do inconsciente que nos acompanham, o corpo enquanto objeto poético e as suas componentes de animalidade.

No dia 4 de junho, novamente às 21:30, o teatro regressa ao CCVF com “O Misantropo”, de Molière, encenado por Nuno Cardoso. Em forma de texto satírico de enorme subtileza e apuro formal, trata-se de uma análise impiedosa da sociedade e das suas regras “que se mantém surpreendentemente atual, expondo diferentes relações de poder e jogos de enganos, numa oscilação constante entre a sinceridade e a hipocrisia, entre a atração e a repulsa pelas convenções”. O encenador gtransforma o palco numa pista de dança retro, um espaço hedonista e festivo, mas, ao mesmo tempo, com uma brancura de morgue que permite fazer uma “anatomia teatral”.

Na segunda semana, os Festivais Gil Vicente propõem mais três espetáculos. No dia 9, às 21:30, no Grande Auditório do CCVF, Nuno M Cardoso apresenta o díptico de peças do britânico Simon Stephens, “Águas Profundas + Terminal de Aeroporto”, espetáculos que tratam de amor e perda de diferentes formas, bem como a experiência da vida moderna numa cidade onde se chega, se espera ou se parte.

No dia 10, na Black Box da Plataforma das Artes, a Amarelo Silvestre apresenta duas sessões do “Museu da Existência”, a primeira às 18:30 e a segunda às 21:30. O espetáculo parte da ideia “de que o futuro dos museus está na casa das pessoas”. Para preparar a peça, a Amarelo Silvestre esteve em casa de pessoas que cederam as suas histórias e os seus objetos. O resultado é o espólio que integra a própria dramaturgia, um museu com objetos que as pessoas fazem existir.

A encerrar o festival, no dia 11 de junho, às 21:30, o CCVF acolhe o regresso dos aclamados belgas da tg STAN, que trazem a Guimarães “The Cherry Orchard”, a última peça escrita por Tchekhov, um clássico incontornável em versão internacional por um conjunto de atores de relevo do teatro contemporâneo.

Para além do cartaz principal, o evento conta com uma série de atividades paralelas, mais formativas. De 1 a 8 de junho, o CCVF recebe um Workshop de Dramaturgia com a Lark Foundation. No dia 3, após a peça “Ciclo Novas Bacantes”, decorre uma conversa com João Garcia Miguel, em que o encenador vai explicar o processo de criação do espetáculo. O mesmo vai acontecer no dia 10, após a sessão da noite do “Museu da Existência”, onde Rafaela Santos e Fernando Giestas a falar com o público sobre a concretização deste projeto.

No dia 8, às 22:00, no Círculo de Arte e Recreio, é promovido o debate “Numa relação com Shakespeare”, a propósito dos 400 anos da morte do dramaturgo. O Círculo de Arte e Recreio é, igualmente, o meeting point do festival, um ponto de encontro onde artistas e público vão poder juntar-se num espaço de partilha, debate, convívio e festa.

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