Cerimónia de entrega do prémio "Um amigo Especial"

O cão é o melhor amigo do homem. Desde há muito que esta é uma frase feita para a maioria das pessoas. Mais recente é a descoberta da importância dos animais para a saúde humana, em particular dos canídeos. O projeto “Um Amigo Especial”, desenvolvido em Óbidos, articula a terapia familiar sistemática, potenciadora das competências das famílias, com a relação particular que os seres humanos têm com o fiel companheiro de quatro patas.

A iniciativa, ontem distinguida com o prémio da Missão Continente, integra o animal, sobretudo o cão, como promotor da estabilização de relações e estimulador de afetos e da socialização, contribuindo para uma melhor definição de regras, limites e contextos e para a resolução de problemas.

O projeto decorre na unidade de saúde de Óbidos e no canil municipal e é indicado para problemas relacionais, doença crónica, luto ou tentativa de suicídio.

“Do ponto de vista dos resultados, esta relação com os animais tem efeitos práticos visíveis”, garantiu o presidente da Câmara Municipal de Óbidos, Humberto Marques, durante a cerimónia de entrega do prémio, no valor de 11.158 euros.

O autarca alertou para a perda de valores da sociedade, que “leva à perda do conceito de comunidade”, ideia partilhada pelo vereador com o pelouro da Ação Social, Joé Pereira, para quem “este projeto é motivo de orgulho, não só pela aprovação da candidatura, mas, sobretudo, por podermos utilizar animais do canil municipal como ‘medicamento’ natural para combater patologias identificadas no foro da terapia familiar sistémica”.

Alargar o projeto a lares de idosos

A médica e coordenadora do projeto “Um Amigo Especial”, Fátima Pais, admitiu que há dois anos adotou um cão do canil municipal de Óbidos e que, a partir desse momento, e por ter sido o primeiro animal de estimação, ficou sensibilizada para o que é “ter um cão num contexto de família”. Apesar de as terapias assistidas por animais “não serem uma novidade, o que me pareceu foi que, em termos de terapia familiar, poderia ser um caminho novo”, sublinhou.

O veterinário municipal, João Almeida, lembrou o caso em que foi utilizado um cão para ajudar um jovem que tinha alguns problemas de ordem social e de atenção. “Ficámos todos muito entusiasmados com os resultados”, confessou.

O projeto “Um Amigo Especial” poderá agora avançar para lares de idosos, “onde existe outro tipo de problemas relacionais”, revelou o veterinário, dando como exemplo algumas instituições onde os idosos estão todos juntos e, muitos deles, não falam uns com os outros. “Aqui, o animal pode ajudar a quebrar o gelo, a unir e a ser tema de conversa e aumentar essas relações sociais”, exemplificou.

O profissional adiantou ainda que neste momento vivem 18 cães no canil municipal e que a equipa do projeto vai iniciar o treino “com aqueles que são mais sociáveis”, acrescentando que “o prémio [da Missão Continente] já foi entregue, os fornecedores já distribuíram os materiais, a treinadora está disponível e agora é uma questão de agendar e dos casos serem sinalizados, o que será para breve”.

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