A CNB festeja 40 anos em 2017
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A Companhia Nacional de Bailado (CNB) vai festejar os 40 anos, que completa em 2017, com a maior digressão de espetáculos de sempre, num total de seis programas em mais de trinta cidades do país.

Em entrevista à agência Lusa, a diretora artística, Luísa Taveira, revelou que a celebração vai ser sobretudo “andar na estrada”. “Achei que fazia todo o sentido fazer uma extensíssima digressão. Apesar de ser, provavelmente, a instituição pública que mais digressões faz, nunca realizou uma deste tamanho. Estaremos de março até julho em digressão”, sublinhou.

A temporada da CNB para 2016/17 integra várias estreias absolutas de criadores portugueses, como “Quinze Bailarinos e Tempo Incerto”, de João Penalva e Rui Lopes Graça, “Turbulência”, de António Cabrita, Henriett Ventura, São Castro e Xavier Carmo, uma nova versão de “La Bayadére”, de Fernando Duarte e José Capela, e um projeto ainda sem nome de Israel Garván e Carlos Pinillos.

“Há uma aposta em criadores portugueses, sempre houve, e sempre o farei”, garantiu Luísa Taveira, explicando que essa opção não tem apenas a ver com as restrições financeiras. “O que sempre me interessou, dentro do panorama da companhia, foi criar um repertório único e que tivesse personalidade. As companhias europeias semelhantes à nossa tiveram, durante muitos anos, o mesmo repertório, e fizeram quase todas a mesma coisa. Estagnaram, e isso deve-se a esta ideia de que todos tinham de fazer as grandes peças. Acabavam por repetir-se”, observou.

Luísa Taveira recordou, por outro lado, que a CNB foi pioneira em fazer convites, com a criadora belga Anne Teresa de Keersmaeker: “[O coreógrafo] Akram Khan será a primeira vez que vende direitos de uma peça sua, e será para nós, na próxima temporada”, revelou. Do dançarino britânico está prevista ainda a apresentação de “ITMOI – In the Mind of Igor”, uma estreia em Portugal.

A diretora da CNB admite, contudo, que os orçamentos reduzidos têm aumentado o recurso a criadores portugueses. “Há alturas, em que falta de dinheiro faz com que se encontre novas soluções”.

Nos últimos quatros anos, na sequência da crise e dos cortes financeiros, a Companhia Nacional de Bailado tem tido um orçamento na ordem dos 500 mil euros do Estado, mais 300 mil da Fundação EDP e ainda um teto de 100 mil euros para a digressão nacional, do mesmo mecenas.

“Debatemo-nos todos os dias com situações de desorçamentação. Mas esse, muitas vezes, não é o pior dos males. Há coisas piores, como a instabilidade. Em seis anos tivemos seis tutelas e nove conselhos de administração no Opart”, lamentou, na mesma entrevista, Luísa Taveira, referindo-se ao Organismo de Produção Artística, que gere a CNB e o Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa. No entanto, ressalvou que a atual administração “está empenhadíssima em valorizar estas duas marcas”.

Questionada sobre a internacionalização da CNB, a diretora diz que tem tentado, “mas os tempos não estão fáceis”, tendo partido de uma ideia inicial de fazer trocas entre teatros estrangeiros – por exemplo, com a Suécia – que não teve continuidade.

Ainda assim, na atual temporada a companhia fez espetáculos em várias cidades alemãs, “que foram um grande sucesso de público”, e, na próxima, vai a Seul, na Coreia do Sul.

Até 2018, o grande objetivo de Luísa Taveira é cativar novos públicos, fazer internacionalização mantendo a missão em Portugal e continuar a procurar criadores portugueses, “que possam trazer a diferença”.