Rodrigo Francisco apresentou o Vistacurta ao lado da vereadora Odete Paiva e da Presidente do Cine Clube de Viseu, Sofia Ferreira

Os cine-concertos são a grande novidade da 7ª edição do Vistcurta – Festival de Curtas de Viseu, que vai realizar-se entre 27 de setembro e 1 de outubro em diversos espaços da cidade. O destaque vai para a estreia de um espetáculo que junta cinema e música ao vivo e que foi criado especificamente para este evento a partir do experimentalismo que caracteriza o trabalho do realizador Paulo Abreu no processo de criação de Regra e Não.

Na apresentação do festival, que decorreu esta manhã nos Jardins da Casa do Miradouro, Rodrigo Francisco, do Cine Clube de Viseu, destacou a “fortíssima participação de filmes”, com o registo de 50 inscrições, divididas por vários géneros, entre ficção, documentário, animação e cinema experimental.

A secção competitiva do Vistacurta vai contar com 13 películas de autores de vários concelhos de Viseu ou que nasceram no distrito, que vão disputar prémios no valor de 2 mil euros. O festival, este ano alargado a cinco dias, vai exibir ainda filmes portugueses relevantes e de produção recente , como é o caso de Balada de um Batráquio, de Leonor Teles, vencedor da Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim deste ano.

Outra das novidades desta 7ª edição é a exibição de filmes de um país convidado, neste caso Cuba, com destaque para a estreia em Portugal da longa-metragem Hotel Nueva Isla, de Javier Labrador e Irene Gutiérrez Torres, sobre a história quixotesca do último habitante de um luxuoso hotel em ruínas que resiste a abandonar o edifício: continua convencido que nas suas ruínas e paredes se encontram tesouros escondidos por antigos moradores. Ao todo, o Vistacurta vai passar cinco filmes originários daquele país, em sessões apresentadas por Judith Castillo, organizadora da Muestra de Cine Cubano Independente de Barcelona.

Manuel Mozos é o realizador em destaque no festival deste ano, apresentando em Viseu os seus dois últimos trabalhos, João Bénard da Costa – Outros amarão as coisas que eu amei, uma homenagem ao ator, cinéfilo e escritor falecido em 2009, e A Glória de Fazer Cinema em Portugal, que parte de uma carta que José Régio escreveu em 1929 a Alberto Serpa manifestando a vontade de fundar uma produtora cinematográfica. Durante quase noventa anos, nada se soube sobre o desfecho deste pedido: nunca se encontrou qualquer resposta de Serpa à carta e Régio não terá voltado a mencionar o assunto. O filme tenta desvendar o desfecho desta história.

O Vistacurta volta a apostar nas masterclasses, nesta sétima edição ministradas pelo realizador Edgar Pêra, cumprindo o objetivo de trazer ao festival “profissionais de uma mais-valia indiscutível”, destacou Rodrigo Francisco sobre esta atividade que tem entrada livre e as inscrições deverão arrancar já amanhã.

Também a vereadora da Cultura, Património e Turismo da Câmara Municipal de Viseu, Odete Paiva, destacou a importância não só desta atividade mas de todo o festival para atrair à cidade nomes consagrados que possam contribuir com “novos olhares”.

O Vistacurta vai contar ainda com sessões especiais, exibindo Luka, a primeira longa-metragem de Luís Brás, que tem no elenco Ana Padrão, Rita Martins ou Pompeu José. O realizador é também um dos membros do júri do festival, a par de Judith Castillo e da professora e formadora Margarete L. Rodrigues. O certame vai apresentar ainda, em ente-estreia nacional, Treblinka, de Sérgio Tréfaut, Melhor Filme Português no IndieLisboa 2016, que se apoia nas memórias de Chil Rajchman, um judeu polaco que se salvou dos campos de concentração nazi.

Nas atividades paralelas, para além dos cine-concertos, o festival vai ainda apresentar a nova novela gráfica do compositor e argumentista Filipe Melo, Os Vampiros, uma história passada em plena Guerra Colonial. Um dos momentos aguardados com maior expectativa é o dos “Filmes Pedidos”, em que, a partir de um reportório conhecido por uma banda, o público elege o filme que quer ver e os músicos são obrigados a improvisar.