A cidade de Lisboa vista do Castelo de São Jorge. Fotografia: Lino Ramos

Portugal é um dos países mais antigos do mundo e aquele que, na Europa, tem as fronteiras há mais tempo definidas. Um pouco mais de 800 anos. Os castelos ocuparam desce sempre um papel vital na defesa do território, especialmente no período da reconquista cristã, que só terminaria definitivamente em 1249 com a vitória sobre os muçulmanos no Algarve.

Devido a esta função essencialmente militar, a maioria dos cerca de 200 castelos portugueses situa-se junto à fronteira com Espanha e na zona sul, onde ajudavam a travar os ataques dos muçulmanos, que aí resistiram por mais tempo. São construções diferentes daquelas que encontramos para lá dos Pirenéus, onde os castelos tiveram uma componente residencial muito forte, daí que muitos sejam apalaçados.

No entanto, outros há que foram construídos em zonas menos “conflituosas”, como os de Óbidos ou Montemor-o-Velho, servindo para proteger uma das mais importantes estradas da Idade Média em Portugal- Santarém-Coimbra – e vigiar a orla marítima, respetivamente. E há ainda os castelos que acompanham vias de penetração naturais, como vales de rios, e estão posicionado em pontos elevados para vigiar o território. Estas fortalezas ajudavam a defender não apenas os que viviam dentro das muralhas mas também as populações vizinhas, além de retardarem o avanço do inimigo.

Os castelos eram autênticos “Guerreiros de Pedra”, como lhes chama o historiador Miguel Gomes Martins no seu livro homónimo. Podiam resistir a um cerco durante meses ou anos, desde que dotados de guarnição fiel e boas reservas de água e mantimentos. E não eram precisos muitos homens. Para o de São Jorge, em Lisboa, bastariam 50 ou 60, diz o investigador.

Com a paz com Castela em 1411, muitos castelos perderam a função militar e foram adaptados a residências, com janelas mais amplas para penetrar a luminosidade e arejar as divisões de algumas torres. Ao longo dos séculos, o abandono e a consequente ruína foram o destino de muitos. Alguns ainda se encontram nesse estado lastimável, outros foram reconvertidos em unidades de turismo como hotéis ou pousadas, e há mesmo os que estão à venda, como o Castelo de Milfontes, avaliado em quatro milhões de euros…

Esta sexta-feira comemora-se o Dia Nacional dos Castelos, o que permite visitar gratuitamente muitas destas construções emblemáticas, verdadeiras referências arquitetónicas, culturais e simbólicas, e conhecer melhor a sua história, que é, em grande medida, a História de Portugal.

Neste dia, a revista Descla lança uma série dedicada aos castelos portugueses, republicando ao longo das próximas semanas artigos da extinta edição impressa, os quais, sempre que se justificar, vão ser atualizados.

Boas leituras e, já agora, visite um castelo!