O Musewu Ibérico da Máscara e do Traje reúne as festividades das regiões: Trás-os-Montes e Aliste. Fotografia: Tiago Canoso

Inaugurado em 2007, o Museu Ibérico da Máscara e do Traje “surge com um programa transfronteiriço com a Deputácion de Zamora”. É desta forma que Fátima Fernandes, vereadora da Câmara Municipal de Bragança, explica o aparecimento deste espaço. O museu “reúne as festividades das duas regiões: Trás-os-Montes e Aliste”.

A parceria entre o Município de Bragança e a Deputácion de Zamora foi criada com o objetivo de divulgar as tradições relacionadas com as máscaras, que ocorrem nas duas regiões. “Continuamos a ter estas festividades em várias aldeias” e é importante “divulgá-las para o exterior e para a nossa população, que muitas vezes se esquece das tradições”, sublinha Fátima Fernandes.

O Museu Ibérico da Máscara e do Traje situa-se no interior das muralhas do Castelo de Bragança, na rua paralela à Torre de Menagem, onde hoje está instalado o Museu Militar. Aqui, encontram-se expostas máscaras, trajes, adereços e demais objetos, feitos por artesãos portugueses e espanhóis, tradicionalmente usados nas Festas de Inverno, também chamadas de Festas dos Rapazes.

Inverno em festa

As Festas dos Rapazes, que se assinalam em várias aldeias da região, “iniciam com o solstício de inverno”. Fátima Fernandes destaca três grandes momentos. “A 25 e 26 de dezembro é o primeiro grande momento. Depois seguem-se as festas do primeiro de janeiro e dos Reis. Por último, o Carnaval”, refere.

Estas tradições “estiveram muitos anos escondidas”, lembra a autarca. “Na altura da ditadura, houve um esmorecer das festas, que ressurgiram novamente e que estão em grande força”. Dirigidas especialmente aos jovens, Fátima Fernandes garante que a continuidade destes festejos não está ameaçada. “Os caretos são sempre jovens solteiros, que são os primeiros a querer continuar com estas tradições”, afirma.

Relativamente ao aparecimento destas festas, a vereadora salienta que “não se conhecem as origens da tradição do uso da máscara. É uma tradição secular. Há quem diga que vem dos celtas e está relacionada com a fertilidade da terra e com a passagem dos rapazes à idade adulta, mas não existe uma época específica que marque o seu arranque”.

Uma tradição procurada

No Museu da Máscara e do Traje exibem-se exemplares feitos em madeira, cortiça, vime, latão ou pele de animal, que normalmente estão associados a uma determinada aldeia. O traje é um elemento que não pode faltar ao disfarce. “Não podemos dissociar a máscara do seu complemento que é o fato”, lembra a vereadora.

Este espaço museológico permite expor, ao longo de todo o ano, as tradições que marcam o inverno transmontano. “Quem vem a Bragança procura esta tradição, procura as máscaras”, garante Fátima Fernandes. Prova disso são os cerca de 14 mil visitantes anuais. “Há muita procura pelos turistas, principalmente espanhóis”, completa.

A estrutura do Museu Ibérico da Máscara e do Traje está dividida em três pisos. O piso inferior está reservado às Festas de Inverno em Trás-os-Montes. O primeiro andar é dedicado às festas espanholas da província de Zamora. O último andar é reservado às festas Carnaval em Trás-os-Montes e aos artesãos das duas regiões.

A vertente educativa é também uma das principais apostas deste museu. “Fazemos ateliers de pintura, construção de máscaras, jogos, dirigidos principalmente às escolas do 1º ciclo. Promovemos também exposições dos nossos artesãos para divulgar a forma como fazem as máscaras. Também vamos às escolas, que têm mais dificuldade em deslocar-se aqui”, conta a vereadora.

Nas atividades realizadas em parceria entre as câmaras de Bragança e Zamora, destacam-se “o desfile dos caretos, no sábado antes do Carnaval, e a bienal da máscara”. O Cortejo de Carnaval reúne os principais grupos de rapazes das Festas de Inverno do Nordeste Transmontano e de Zamora, que desfilam ao som da gaita de foles, celebrando uma cultura genuína de raízes milenares.

A Bienal da Máscara, designada de Mascararte, realiza-se de dois em dois anos, e tem como principais objetivos a divulgação da máscara e das tradições a ela associadas, bem como a aproximação entre grupos e investigadores de outras culturas, que partilhem os mesmos costumes. De acordo com Fátima Fernandes, o evento vai repetir-se em dezembro deste ano.

 

Texto: Sónia Pereira

Artigo originalmente publicado em outubro de 2013 no número 10 da revista Descla, edição impressa