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O CineEco – Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, que terminou no último sábado, registou mais de 5 mil entradas ao longo dos oito dias. O número foi avançado à revista Descla pelo diretor do certame, Mário Branquinho, que faz um balanço “francamente positivo”, não só pela adesão do público, mas também pela “qualidade dos filmes” e por esta ter sido a edição com “a maior delegação internacional, o que revela o crescimento do festival”.

De 8 a 15 de outubro estiveram a concurso cerca de 100 filmes de mais de 20 países. O Grande Prémio CineEco 2016 foi atribuído ao filme Suplicação – Vozes para Chernobyl, do luxemburguês Pol Cruchten, que evoca o desastre ambiental ocorrido em 1986 na Bielorrússia, resgatando as memórias de alguns sobreviventes, e é baseado no livro homónimo da escritora bielorrussa Svetlana Alexievitch, Prémio Nobel da Literatura de 2015. “Correspondeu às expectativas. É um belíssimo filme de ficção documental baseado em factos reais”, nota o responsável do festival, que este ano teve como lema “Nuclear, Não Obrigado!”

O Prémio Lusofonia foi para a produção belga Aquamazonida, de João Leite, uma média-metragem que “deixa literalmente o rio Amazonas falar de si próprio”, e o Prémio Antropologia Ambiental distinguiu Os Guardiões da Água. Carnia Revolta-se, de Giulio Squarci (Itália), sobre como uma pequena comunidade dos Alpes italianos reage ao processo de privatização das águas.

O Normal É Mais que um Filme, do sul-africano Renee Scheltema, venceu o Prémio Educação Ambiental descrevendo “uma viagem pelo mundo à procura das melhores soluções para salvar o planeta e inverter o declínio global”.

O CineEco distinguiu ainda com o Prémio de Curtas-Metragens Internacionais a obra Uma Eco Quinta no Teto do Mundo, de Giovanni Ortolani (Itália), que conta a história de Govinda Bedraj, uma mulher que fundou a Mountain View Eco-Farm, no Nepal, para criar um espaço amigo do ambiente e mostrar um exemplo de agricultura biológica mais sustentável no seu país.

O Prémio Médias, Séries, Documentários e Reportagens de Televisão foi para SOS na Ilha de Santa Maria, uma reportagem da RTP, da autoria de Jorge Almeida, sobre as reservas marinhas nos Açores que estão em risco de extinção.

O documentário 100 Anos de Urgeiriça, de James Ramsay Cameron, que evoca a exploração mineira na Urgeiriça, no concelho de Nelas, em Viseu, conquistou o Prémio Lusofonia Panorama Regional, ao passo que o Grande Prémio da Juventude foi para Furacão (Ouragan), de Cyril Barbancon, Jacqueline Farmer e Andy Byatt (França).

O Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela é organizado pela Câmara Municipal de Seia e a 23ª edição vai realizar-se entre 7 e 14 de outubro de 2017. “Vamos começar a preparar e melhorar alguns aspectos para continuarmos a merecer a confiança do público”, revela Mário Branquinho.