Conta-se que, aquando da passagem das tropas napoleónicas pela região de Mortágua, no início do século XIX, as populações teriam, estrategicamente, envenenado as águas. Para cozinhar a carne, passaram a usar, como recurso, o vinho. Da aliança entre os dois ingredientes terá resultado a Lampantana, um prato de excelência cujo segredo de confeção e tempero foi sabiamente guardado até aos nossos dias.

A Lampantana é feita com carne de ovelha, dos rebanhos de gado lanígero que outrora pastavam pelas abundantes encostas de urze do concelho, quando a criação dos ovinos, sobretudo nas zonas da serra, era uma importante fonte de rendimento e ao mesmo tempo de sustento familiar.

Depois de prepararada e condimentada, a carne é colocada numa caçoila de barro e vai ao forno de lenha, o mesmo onde se coze o pão. Serve-se com batata fardada (com pele), grelos, pão caseiro, e o indispensável Vinho do Dão, indicado para este prato de características suculentas.

Noutros tempos, a Lampantana era um prato obrigatório nos momentos festivos, como casamentos ou batizados. Atualmente é confecionado ao longo de todo o ano nas casas particulares e nos restaurantes, mas mantém o caráter tradicional. “Ainda hoje, nos momentos especiais de convívio familiar ou quando regressam familiares do estrangeiro, a Lampantana não pode faltar à mesa, ajudando a matar as saudades da terra!”, sublinha a autarquia.

De 28 a 30 de outubro, locais e visitantes podem saborear este prato típico de Mortágua, acompanhado à mesa pelo vinho do Dão produzido pela Sociedade Agrícola Boas Quintas, fazendo reserva num dos 12 restaurantes aderentes ao Fim de Semana da Lampantana.

O certame, organizado pelo município, contempla ainda a possibilidade de ganhar uma caixa de vinho da série especial “Lampantana”. Por cada dose servida vai ser entregue um cupão, a preencher com os dados pessoais (nome, morada e contacto), para depois ser sorteado numa tômbola.

 

Ingredientes

Carne de ovelha, sal, alho, cebola, louro, colorau, banha de porco, azeite, piripiri, salsa, vinho tinto. Acompanhamento: batata fardada e grelos

Preparação

Corta-se a carne em nacos e coloca-se numa caçoila de barro. Juntam-se os temperos (sal, alho, salsa, cebola, louro, colorau, banha de porco, azeite e piripiri), envolvendo-os bem na carne. É altura de adicionar vinho (sempre tinto). Deve-se ter em atenção a quantidade de vinho, não deitando nem a mais nem a menos, apenas o suficiente para cobrir a carne, por forma a evitar que a carne fique seca ou se desfaça. Uma nota importante: convém que seja um vinho encorpado, com alguma qualidade.

Vai finalmente ao forno de lenha, previamente bem aquecido, aí permanecendo durante duas a três horas (em média). O tempo da assadura depende da temperatura a que está o forno. Quando a carne que está ao cimo começar a ficar assada, deve-se dar uma mexida ou volta, ligeira e suave, para que esta não fique queimada e toda a carne se apresente com uma textura e um sabor homogéneo.

Retirar quando estiver bem assada.

O prato assim confecionado é servido com batata “fardada” (com pele), grelos cozidos e pão caseiro.

As características fortes e suculentas do prato recomendam o acompanhamento com vinho tinto do Dão. Saiba que em Mortágua produzem-se vinhos do Dão de excelente qualidade.

Fonte: Município de Mortágua

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