Uma águia-imperial ibérica ((Aquila adalberti)) caçando um coelho
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O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) vai, na próxima terça-feira, devolver à natureza um juvenil de águia-imperial nascido em abril último no Parque Natural do Vale do Guadiana.

A ave, com cerca de seis meses, vai ser libertada na freguesia de Alcaria Ruiva, no concelho de Mértola. Ainda em cria, com cerca de 70 dias, a águia desenvolveu um problema nas penas que a incapacitou de efetuar os seus primeiros voos, o que levou o ICNF a proceder à sua imediata captura ainda no ninho e posterior recuperação, garantida pelo Centro de Recuperação de Aves Selvagens de Lisboa (LX-CRAS), revela o instituto. Mais de três meses depois, e após a recuperação das penas, o juvenil já aprendeu a caçar coelhos em ambiente de cativeiro.

A jovem águia foi detetada no âmbito da monitorização contínua e vigilância dos ninhos da espécie efetuadas no âmbito do projeto LIFE-Imperial, financiado pela Comissão Europeia. “Agora com cerca de 6 meses de idade, é uma das 15 crias marcadas em Portugal desde 2014, maioritariamente com transmissores GSM”, explica o ICNF.

Após a libertação a ave vai ser acompanhada continuamente por uma equipa conjunta do ICNF, da Liga para a Proteção da Natureza (LPN) e da TRAGSATEC, empresa de tecnologia de vanguarda, no âmbito da parceria LIFE-Imperial e, se necessário, alimentada até se tornar autónoma.

A águia-imperial ocorre exclusivamente na Península Ibérica, onde vivem cerca de 500 casais, e é uma das espécies de aves mais ameaçadas na Europa. Em 2004 Portugal e Espanha assinaram um memorando de entendimento para a sua recuperação e o ICNF revela que este ano já nidificaram 15 casais em Portugal, nas ZPE do Tejo Internacional, Erges e Ponsul, de Veiros, de Castro Verde, do Vale do Guadiana e suas envolventes.

O programa de seguimento de águias imperiais resulta de uma colaboração entre o ICNF, a LPN e a MOVETECH Telemetry, um consórcio formando por entidades portuguesas e britânicas que desenvolve tecnologias inovadoras que combinam a recolha remota de dados intensivos de GPS que são depois transmitidos via redes de telemóveis.