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A região de Montemor-o-Velho é um espaço antigo. Fenícios e romanos estiveram nesta zona. O castelo não foi construído pelos romanos, mas a sua marca está presente nos silhares instalados na base da torre de menagem. Apesar destas fundações antigas, a primeira referência da existência deste castelo data do ano de 848, quando é conquistado aos mouros, por Ramiro I, rei de Leão, e pelo seu sobrinho, o Abade João que se tornou no primeiro Senhor de Montemor.

O castelo fez parte de um conjunto de fortificações que defendiam os campos do Mondego e o acesso a Coimbra. A existência da fortaleza de Montemor-o-Velho e o seu poder defensivo ajudaram no povoamento desta área. A partir do século XVII, a sua importância defensiva decresce em prol de fortificações mais avançadas e devido à relativa “calma” da zona de Coimbra.

Hoje é um monumento nacional e um espaço turístico, mas entre as suas muralhas existe mais para além de pedras antigas. A história e a lenda abundam. Afonso IV reuniu-se com os seus conselheiros neste castelo e prepararam a morte de Inês de Castro. A donzela foi assassinada a 07 de janeiro de 1355 nas casas do mosteiro de Santa Clara.

São várias as lendas que se contam sobre o castelo. A fortaleza foi local de um milagre na época do Abade João. Perante a iminência de uma derrota, o comandante decide poupar o sofrimento a todos os que não podiam combater: crianças, mulheres e pessoas de idade. Em desespero são degolados para terem uma morte limpa, sem sofrimento às mãos dos mouros. Sem esperança, o comandante e os seus soldados avançam para a batalha. Saem vitoriosos, mas não têm para quem voltar, os seus entes queridos foram degolados. Com amargura nos corações e com sangue mouro nas espadas regressam ao castelo. Ao chegarem à porta, viram-nos. Aqueles a quem tinham degolado, haviam voltado dos mortos. Todos traziam a marca de onde a espada tinha feito o corte. Existe uma igreja no castelo onde se pode ver uma imagem com a marca dos degolados.

A lenda mais interessante da fortaleza é possivelmente a das duas arcas. Conta-se que duas arcas foram enterradas dentro das muralhas. Uma está cheia de peste e outra cheia de ouro. Até hoje ninguém as encontrou.

 

Texto e fotografia: Tiago Canoso

Artigo publicado originalmente em dezembro de 2012, no número 9 da revista Descla, edição impressa