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O conceito nasceu de um desafio apresentado à Câmara Municipal de Gouveia, pelo colecionador Fernando Taborda e o Clube Escape Livre. A iniciativa foi prontamente aceite pela autarquia. Surgiu, assim, um projeto pioneiro em Portugal, que expõe miniaturas de veículos reais. Em Gouveia, as grandes máquinas reproduzem-se em pequena escala.

Amante e conhecedor exímio das miniaturas automóveis, Fernando Taborda cedeu parte do seu espólio, que reuniu desde criança, para impulsionar a abertura deste espaço museológico.

O colecionador é também responsável pela seleção das exposições do museu, que se quer criteriosa. “Procuro associar as coleções temporárias a um tema, juntamente com a Câmara, em particular com o doutor Luís Tadeu, e procuro também que cada coleção tenha um elevado grau de qualidade”, conta Fernando Taborda. Segundo o colecionador, “as componentes histórica, cultural e social” são determinantes para o sucesso de uma coleção.

Fernando Taborda interessa-se, não só pela miniatura, como pela história adjacente. “Uma coleção só faz sentido, se tiver uma associação à história. Cada miniatura representa uma viatura real, que tem uma história associada, não só da própria viatura, como dos pilotos, dos fabricantes, das equipas”, esclarece.

Algumas miniaturas automóveis continuam em casa de Fernando Taborda, para, quem sabe um dia, chegarem a exposição no museu. “Tenho outro tanto em casa. Uma das coleções já esteve em exposição no museu, uma coleção de Alfa Romeos. Depois tenho outras, mas que não estão em condições mínimas de ser expostas. Se exijo qualidade aos outros colecionadores, as minhas têm que ter, no mínimo, qualidade igual. Enquanto não atingirem esse patamar, não vão para o museu”, sublinha.

As exposições

O Museu da Miniatura Automóvel de Gouveia expõe coleções permanentes e temporárias. Este facto prende-se com a necessidade de “renovar o interesse do museu, para não justificar apenas uma visita”, fundamenta Fernando Taborda.

As exposições que estão patentes ao público de forma contínua apresentam a evolução histórica do automóvel e a coleção de miniaturas de ralis. Pertença da autarquia de Gouveia, a coleção histórica retrata a evolução do automóvel desde 1860 até aos dias de hoje. A exposição dos carros de rali, de Fernando Taborda, representa a maior coleção do museu, com cerca de 1.600 miniaturas, e relembra as provas mais míticas deste desporto automóvel.

No que às exposições temporárias diz respeito, estão em exibição as seguintes coleções: “Gilles Villeneuve”, “Miniaturas de Presidentes, Vip’s e Papamóveis”, “Porsche”, “24 horas Le Mans” e “3J”. A coleção Gilles Villeneuve, propriedade de Fernando Taborda, pretende homenagear um dos melhores pilotos de toda a história da Fórmula 1. Falecido em 1982, Villeneuve obteve apenas seis vitórias, nas 67 corridas de F1 em que participou. “Era um piloto muito irreverente, com uma forma de estar e de ser muito vincada”, conta-nos um funcionário do museu.

A exposição de miniaturas de carros presidenciais e papais, cedida por Rui Miller, mostra a evolução das viaturas utilizadas por presidentes, papas e pessoas que se destacaram na sociedade. Esta coleção “tem já a última miniatura do carro da visita de Bento XVI a Portugal”.

A coleção da Porshe, de Germano Raposo, expõe as miniaturas dos mais emblemáticos modelos construídos pela marca. Cedida pelo colecionador Mário Costa, a exposição dos veículos “24 horas Le Mans” apresenta os modelos que passaram pela corrida mais antiga e prestigiada da resistência automóvel.

A exposição 3J representa “uma empresa nacional, sediada na Amadora, de João Campeão de Freitas, colecionador e construtor de miniaturas, todas feitas à mão”. De acordo com a explicação do funcionário do museu, esta “fábrica artesanal” pertencia a “três irmãos, que entretanto faleceram e parte do espólio foi cedido ao museu”.

O funcionário adianta, ainda, que o espaço museológico recebe entre “25 a 30 mil visitantes por ano”. Para além da exposição das miniaturas, o muse promove, frequentemente, “encontros com clubes e colóquios, com a presença de pilotos”.

Texto: Sónia Pereira
Fotografia: Tiago Canoso

Artigo publicado originalmente em dezembro de 2012 no número 9 da revista Descla, edição impressa.