Integrado no Teatro Municipal de Vila Real, o Museu do Som e da Imagem afirma-se como um espaço único e dinâmico, que viaja pela história do teatro, cinema e fotografia em Vila Real.

Aberto ao público desde o dia 11 de abril de 2008, este museu nasce do esforço de uma equipa encabeçada por Vítor Nogueira, diretor do Teatro Municipal; e Duarte Carvalho, conhecido fotógrafo vila-realense. “Sempre tivemos o cuidado, mesmo antes de o museu estar aberto, de ir recolhendo peças e fotografias da história da cidade. Conseguimos recuperar algumas peças do Teatro Avenida e, aos poucos, começou a surgir mais material”, conta Duarte Carvalho.

Ao espólio do Teatro Avenida, na posse da Autarquia local desde 1999, juntaram-se outras, adquiridas, doadas ou depositadas por diversas instituições e colecionadores particulares. A ideia foi ganhando cada vez mais forma, numa cidade com forte tradição e preocupação cultural.

A preservação deste acervo consolidou-se em sete salas de exibição, prontas a serem visitadas. “A visita ao museu pode demorar 15 a 20 minutos, meia hora, ou mais, consoante o público que recebemos”, refere Duarte Carvalho. O interesse dos visitantes, pelas temáticas do museu, dita o decurso da visita.

O museu guarda fotografias, peças e documentos relacionados com os espaços culturais de referência da cidade. Para além dos objetos recolhidos, os responsáveis do Museu do Som e da Imagem criam também os seus próprios exemplares, como é o caso das réplicas de máquinas de efeitos especiais, criadas para simular o som da trovoada, chuva ou vento. Ao observar o funcionamento destes objetos, o visitante percebe como estes sons se processavam no teatro antigo.

Na entrada do museu figura uma tabela cronológica, com informação e datas importantes sobre a história da fotografia e cinema. Segue-se o espaço dedicado ao primeiro Teatro de Vila Real, com atividade entre 1846 e1885. Duarte Carvalho explica, contudo, que o teatro de rua era já muito frequente na cidade. “Os marqueses de Vila Real eram pessoas muito abastadas, com as regalias da Casa Real de Lisboa e mandavam vir os artistas para fazer espetáculos de rua”, referencia.

A sala dedicada ao Teatro Circo, que esteve em funcionamento de 1892 a 1961, é uma das mais apreciadas pelo público de Vila Real. O responsável do museu destaca alguns dos objetos pertencentes a este teatro, como é o caso de duas cadeiras da plateia. Com capacidade para 800 pessoas e preparada para receber circo e teatro, esta sala de espetáculos “deixou muitas saudades aos vila-realenses”, conta Duarte Carvalho.

O cinema e a fotografia

A história destes espaços culturais vai-se fundindo com a história do som e da imagem, a que se associa o facto de Vila Real ter sido a primeira terra do país a ter iluminação pública. “Como tivemos iluminação muito cedo, também tivemos cinema muito cedo. Dois anos depois de o cinema ter sido inventado (1895), nós tínhamos cá cinema. É fantástico não é?”, constata o responsável do museu.

A chegada à época de vigência do Teatro Avenida (1930-1979) acompanha a entrada na era do cinema sonoro. Nesta área, expõem-se máquinas de rebobinar, projetores de cinema, gira discos, amplificadores de som e microfones.

O museu conta ainda com um espaço representativo da história da fotografia, com máquinas e suportes que mostram o seu desenvolvimento, uma área dedicada à imagem em movimento e uma sala de exposições temporárias.

O Museu do Som e da Imagem tem ainda em funcionamento um serviço educativo e um arquivo audiovisual, que guarda as memórias futuras. A programação do museu inclui também a edição de publicações, normalmente relacionadas com as exposições temporárias, como forma de perpetuar as memórias da cidade, e o destaque mensal de uma peça, uma estereoscopia (imagem em relevo) e um filme.

Desde a sua abertura, o espaço recebe entre 15 a 20 mil visitas anuais. Em 2011, cerca de 16 mil pessoas visitaram o museu. Aberto diariamente, das 14:00 às 24:00 horas, o Museu do Som e da Imagem tem entrada gratuita. Para visitas guiadas, solicita-se marcação prévia.

 

Texto: Sónia Pereira

Fotografia: Tiago Canoso

Artigo publicado originalmente em fevereiro de 2013 no número 10 da revista Descla, edição impressa