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Diz-se que andavam por aí uns fidalgos, com as suas comitivas, que entravam nas aldeias e se serviam da comida e bebida dos habitantes sem nada pagarem. O povo barrosão, anterior à própria nação portuguesa, andava descontente com este facto e decidiu ameaçar o seu alcaide. Este, por sua vez, ordenou ao capitão-mor que organizasse forças para obrigar os fidalgos a pagar os prejuízos. Encarceraram o fidalgo responsável e mandaram os seus criados voltar a casa para trazer o dinheiro, sendo que quando isso acontecesse libertariam o fidalgo. Passado algum tempo os familiares do fidalgo vieram pagar as dívidas e foi devolvido o cavalo ao fidalgo. As suas palavras “Monto Alegre” ainda hoje são faladas em terras barrosãs, pois deram origem ao nome de Montalegre.

Foi então que D.Afonso III declarou Montalegre capital das terras de Barroso a 09 de junho de 1273, tendo mandado construir uma fortaleza. Datado de 09 de junho de 1273, o castelo de Montalegre tem mais de sete séculos de existência. Há informação documental que comprova que o castelo foi erguido entre 09 de junho de 1273 e 24 de abril de 1281, pois D.Dinis, no segundo ano do seu reinado, passou uma “Carta de Arras” (de dote) à futura Rainha Santa Isabel em que lhe oferecia, entre outros, o castelo de Montalegre.

Cada uma das três torres iniciais foi batizada com um nome, havendo a torre da rainha, a do relógio e a da pólvora ou do paiol. D.Dinis construiu uma quarta torre muito mais imponente, monumental, com mais de 20 metros de altura e dos princípios do período gótico. Externamente, o castelo era defendido por duas linhas de muralhas, que hoje já não estão visíveis. A vila começou a contruir-se à volta do castelo.

Já mais tarde, aquando da crise de 1383-1385, o Castelo foi entregue a D. João I, que ofereceu as terras do Barroso a D. Nuno Álvares Pereira.

“É um monumento extraordinário nacional militar ainda hoje e tem uma característica absolutamente extraordinária e julgo que única no país, que é a sua cisterna dupla de grande profundidade, a última parte tem mais de 20 e tal metros de profundidade”, refere  José Dias Batista, antigo inspetor da administração geral da educação, agora reformado, e cujo hobbie é a história, tendo já escrito um livro sobre a história de Montalegre.

Todas as sextas 13 decorre a noite das bruxas no castelo, uma tradição muito ligada à identidade popular. Quanto ao interior da fortaleza, a população apresenta queixas de que após se ter gastado bastante dinheiro em obras de reconstrução, esta não está aberta ao público.

 

Texto: Ana Gomes

Fotografia:_ Tiago Canoso

Artigo publicado originalmente no número 19 da revista Descla, edição impressa