Laura Soveral, de 83 anos, é uma das mais conceituadas atrizes portuguesas

O prémio de cinema Bárbara Virgínia vai ser atribuído à atriz Laura Soveral, de 83 anos, anunciou a Academia Portuguesa de Cinema.

O júri, constituído pelos realizadores António Pedro Vasconcelos e Leonel Vieira, pelo produtor Paulo Trancoso e pelos atores Luís Lucas e Paulo Pires, destaca a “carreira ímpar” da atriz no cinema e no teatro nacional, dizendo que esta representa “um extraordinário exemplo de determinação e profissionalismo para gerações futuras”.

Laura Soveral vai receber o troféu concebido pelo pintor e escultor Leonel Moura numa cerimónia a realizar no próximo ano.

O prémio Bárbara Virgínia foi instituído em 2015 pela Academia Portuguesa de Cinema para homenagear uma figura feminina que se tenha distinguido no cinema português, tendo distinguido na primeira edição a atriz Leonor Silveira.

Laura Soveral: uma vida de representação

Laura Soveral nasceu em 1933, em Angola, e frequentou o curso de Filologia Germânica na Faculdade de Letras de Lisboa, iniciando a carreira de atriz em 1964, no Grupo Fernando Pessoa, dirigido por João d’Ávila.

Entretanto, inscreveu-se na Escola de Teatro do Conservatório Nacional, onde teve professores como a atriz brasileira Henriette Morineau, com quem aprendeu e desenvolveu a arte de representar.

Paralelamente ao Teatro, fazia televisão e cinema, sendo frequentemente convidada para declamar poemas no programa Hospital das Letras de David Mourão-Ferreira.

Em 1968 Laura Soveral recebeu o Prémio de Melhor Atriz de Cinema pelo Secretariado Nacional de Informação (SNI) e pela Casa da Imprensa e entre 1970 e 1971 viveu a sua melhor época no teatro, tendo participado em peças como “O Processo de Kafka” e “Depois da Queda” do dramaturgo norte-americano Arthur Miller.

Em 1976 a atriz integrou o elenco das novelas brasileiras “O Casarão (exibida também em Portugal) e “Duas Vidas, ambas da Rede Globo Televisão.

Durante o seu percurso profissional interpretou autores consagrados como Fernando Pessoa, José Saramago, Almada Negreiros, Ferenc Molnar, Moliére, Kafka e Yves Jamiacque, entre muitos outros.

No teatro, esteve em cena um pouco por todo o país, nomeadamente no Teatro D. Maria II, Teatro Aberto, Teatro Villaret e Teatro Sá da Bandeira, onde trabalhou com importantes figuras não só do teatro nacional mas também internacional.

A sua longa carreira cinematográfica passa por filmes como “Vale Abraão”, “A Divina Comédia” e “Francisca” de Manoel de Oliveira, “Terra Sonâmbula” de Teresa Prata, “O Fatalista” e “Tráfico” de João Botelho, “Quaresma” de João Álvaro Morais, “ Uma Abelha no Chuva” e “O Delfim” de Fernando Lopes e “Encontros Imperfeitos” de Jorge Marecos Duarte, entre outros.

A sua participação no filme “Tabu” do realizador Miguel Gomes valeu-lhe, em 2013, três nomeações, como melhor atriz secundária para os Prémios CinEuphoria e como melhor atriz para os Globos de Ouro e Prémios Sophia, tendo levado para casa o galardão de melhor atriz secundária. Nesse mesmo ano foi homenageada pela Academia Portuguesa de Cinema com o Prémio Sophia Carreira.