Nikia, dançarina do templo, é apaixonada por Solor, um guerreiro, mas o amor entre ambos é ameaçado pela princesa Gamzatti, que acaba por envenenar a sua rival. A triste história decorre no cenário das Índias e dos Himalaias e é um grande clássico do bailado, o último que faltava ao reportório da Companhia Nacional de Bailado (CNB), que o apresenta até esta sexta-feira no Teatro Camões, em Lisboa.

“La Bayadère” é uma narrativa de amores, desencontros, traições e ciúmes. Estreou em São Petersburgo, na Rússia, há quase 140 anos, pela mão do bailarino, professor e coreógrafo Marius Petipa.

Com libreto de Sergei Khudekov, o bailado evoca a índia desse tempo, de finais do século XIX, com os seus véus de odaliscas, tutus clássicos, faquires, bugigangas, valsas europeias “e todos os ingredientes que o esplendor da Rússia Imperial e o gosto pelo exótico da altura podiam imaginar à distância”, revela a CNB.

Por essa altura, os relatos de Marco Polo pela Rota da Seda tinham passado de histórias fantásticas a quase confirmações científicas, inflamando ainda mais a imaginação. Procurava-se, assim, reproduzir com o que havia à mão as culturas para “além da Taprobana”, esse exotismo indiano, usando técnicas de ballet convencionais do século XIX.

“Um dos atos, o das Sombras, porventura o grande exemplo do classicismo académico da dança, é, apesar da sua simplicidade estrutural, de uma enorme dificuldade técnica para o corpo baile feminino. Todo ele é deslizante, hipnótico, de beleza celestial, talvez não tenha sido por acaso que é precisamente com ele, que no guião, se atinge o Nirvana”, sublinha a Companhia Nacional de Bailado.

A exuberância decorativa dos dois primeiros atos contrasta com o terceiro, o ato “branco” das máscaras, um triunfo do virtuosismo da dança clássica. Foi precicamente este ato que a CNB estreou em 1987, no Teatro Municipal São Luiz, numa versão parcial de “La Badayète”. As corres quentes e exóticas dos figurinos têm a assinatura do estilista José António Tenente.

Com música de Ludwig Minkus, cenografia de José Capela e desenho de luz de Paulo Graça, o bailado é interpretado por artistas da Companhia Nacional de Bailado, acompanhados pela Orquestra de Câmara Portuguesa, com Pedro Carneiro na direção musical.

Esta quinta e sexta-feira “La Bayadère” pode ser visto no Teatro Camões às 21:00 horas. Os bilhetes para o espetáculo variam entre os 5 e os 30 euros e podem ser adquiridos online.