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O Museu Nacional da Imprensa (MNI), situado em Campanhã, no Porto, foi inaugurado em 1997, sob a tutela da Associação do Museu da Imprensa (AMI). De acordo com José Neves, coordenador do MNI, a intenção da AMI foi a de criar “um museu que retratasse a história da imprensa ligada à tipografia e à imprensa escrita”. Para tal, foi necessária “a constituição de uma coleção, o recuperar património, pô-lo a funcionar, selecioná-lo”, o que viria a originar a exposição permanente “Memórias Vivas da Imprensa”. Esta não é uma mostra comum. Segundo o coordenador do Museu, o objetivo não foi apenas “dispor os equipamentos de forma organizada, mas aproximá-los do público. As máquinas estão a funcionar. Pretendeu-se excluir a visão de museu como redoma”.

A exposição “Memórias Vivas da Imprensa” ocupa a sala principal do Museu, intitulada “Sala Rodrigo Álvares”, em homenagem ao primeiro luso a imprimir em Portugal, no Porto, em 1497. Os equipamentos da mostra estão organizados de acordo com setores base que explicam o funcionamento da imprensa: fundição, composição, impressão e encadernação. Como explica José Neves, “a exposição centra-se sobretudo na era do chumbo, na descoberta que Gutenberg fez no séc. XV” e que constituiu o modelo base de impressão de jornais durante 500 anos. A máquina mais antiga do MNI data do século XVIII, é de madeira e veio de Coimbra. Os últimos anos do jornalismo de imprensa, com os processos de fotocomposição, digitalização e offset, não estão ainda retratados no MNI.

O piso superior do Museu conta com uma exposição de miniaturas tipográficas produzidas por Américo Silveira. O MNI evoca ainda datas comemorativas ou personagens. Os 40 anos do 25 de Abril já estão a ser celebrados no Museu e a exposição vai crescer até 2014.

Serviço educativo

A “Memórias Vivas da Imprensa” é muito procurada por escolas. Os alunos são orientados por um guia e podem escolher uma de várias atividades do museu: imprimir uma folha, reciclar papel, fazer um pequeno livro ou experimentar duas ou três técnicas de impressão, de que é exemplo a serigrafia. O objetivo é fazer ver “o tempo, a paciências e a diversidade de materiais que eram precisos para a produção de um jornal”, indica José Neves. Além das escolas, o MNI é cada vez mais solicitado para festas de anos. Ao bolo de aniversário e aos balões junta-se uma atividade do Museu, escolhida pelo aniversariante, para desenvolver com os convidados.

O MNI estabelece parcerias com câmaras municipais e empresas, levando o seu espólio para exibição em diversos locais. No caminho da divulgação cultural da história da imprensa, surgiram os núcleos de Celorico de Bastos e da Madeira (Museu da Imprensa da Madeira). Espinho, Arcos de Valdevez e Açores são os lugares que, ao que tudo indica, acolherão os próximos núcleos.

Porto Cartoon

O piso subterrâneo do MNI é dedicado ao Porto Cartoon. A temática deste ano foi a liberdade, igualdade e fraternidade, mas contou com dois subtemas: José Saramago e Manoel de Oliveira. Além destes motes há ainda a temática livre e o cartoon humorístico. Segundo José Neves, o Porto Cartoon “é a exposição que cria mais responsabilidades ao museu porque é a que tem mais impacto internacional”. O MNI já organizou 15 edições e recebe, em média, 2000 trabalhos por ano, dos quais seleciona cerca de 300. A seleção implica que o desenho vá para uma exposição e para um catálogo. Esta é a exposição que atrai mais visitantes, excluindo as escolas.

O Porto Cartoon mantém-se até ao fim do ano em exposição no MNI, mas é possível que saia à rua. Um dos intuitos do Museu é abrir fronteiras e, como tal, expõe em aeroportos, centros comerciais e outros espaços públicos. Na festa da caricatura, que em 2013 decorreu na baixa da Invicta, o público pode ser “cartoonado”.

 

Texto e fotografia: Catarina Cascais

Artigo publicado originalmente em julho de 2013 no número 16 da revista Descla, edição impressa