Imagem do espetáculo "Muhsilwan", de música árabe-andalusí, giro sufi e dança tanora, que vai passar por Silves e Albufeira nos dias 3 e 4 de fevereiro

O Algarve recebe nos meses de janeiro e fevereiro mais uma edição do Festival de Música al-Mutamid, recordando as sonoridades que durante séculos se escutaram em bazares, medinas e palácios do Gharb al-Andalus, correspondente ao atual território português.

O evento itinerante vai decorrer nos concelhos de Lagos, Silves, Lagoa, Vila Real de Santo António e Loulé, numa viagem música afro-árabe, passando pela dança oriental, música árabe-andalusí, giro sufi ou dança sonora.

A festival começa a 17 de janeiro em Lagoa, no Convento de São José, com “Muhsilwan”, um espetáculo de música afro-árabe, e termina a 18 de fevereiro no mesmo concelho, com “Nyftys Ensemble”, de música e dança orientais.

O al-Mutamid surgiu em 2000 com o objetivo de divulgar a música que durante séculos se ouviu na região mais ocidental do império muçulmano e responder à escassez cultural então existente na denominada época baixa de turismo do Algarve.

O evento presta homenagem ao rei e poeta homónimo (1040-1095) – filho e sucessor do rei de Sevilha Al-Mutadid -, que segundo o escritor hispano-árabe Al-Fath ibn Jaqan foi “o mais liberal, magnânimo e poderoso de todos os taifas [principado muçulmano] de al-Andalus”.

O monarca, cujo nome oficial era Muhammad Ibn Abbad, nasceu em Beja e foi nomeado governador de Silves com apenas 12 anos, tendo aí passado uma juventude refinada. Em 1069 acedeu ao trono de Sevilha, o reino mais forte entre os que surgiram em al-Andalus após a queda do Califato de Córdoba, e em 1088 foi destronado pelos almorávides e recluído em Aghmat, Marrocos, onde viria a falecer em 1095. O seu túmulo, conservado até hoje, tornou-se símbolo dos mais belos tempos de Al-Andalus.

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