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A fronteira portuguesa é uma das mais antigas da Europa, tendo sido definida há centenas de anos. Ao longo dessa linha foram edificadas várias fortificações que durante séculos protegeriam Portugal. A fortaleza de Marvão não foi edificada com o propósito de defender os portugueses. Os primeiros registos de fortificações neste local datam da época da ocupação romana.

Muito antes da instituição da nacionalidade, Marvão serviu de ponto de apoio para os senhores de Badajoz que se refugiaram em Marvão em momentos de aflição. Pela sua localização, Marvão tem um papel preponderante na defesa da nacionalidade e um lugar em praticamente todos os grandes momentos bélicos da história portuguesa.

Após a reconquista cristã, a fortificação é anexada a Portugal e em 1226 recebe o primeiro foral, sendo este um dos primeiros a ser atribuídos no Alentejo. A colonização daquela zona do país e consequente estabelecimento de uma população residente estava em marcha.

No entanto, os interesses sobre esta fortaleza são muitos devido ao seu valor estratégico. D. Dinis e D. Afonso disputaram este território para assumirem o controlo da fronteira. D. Dinis consegue em 1299 apoderar-se da fortificação.

Os anos avançam, a fortificação envelhece, mas após a restauração da independência, também a fortaleza é restaurada e atualizada com as melhores tecnologias da época. Nada disso foi o suficiente para evitar a queda da fortaleza durante a guerra da Sucessão em Espanha, sendo posteriormente recuperada para controlo português.

Em 1833, a fortificação encontra-se sob o comando de Miguelistas. As guerras liberais vão a meio. Numa estratégia ardilosa que envolveu tropas liberais, forças espanholas e pessoas dentro da fortificação, Marvão é conquistada pelos liberais. Esta vitória dura pouquíssimo, a fortaleza vê-se cercada por tropas miguelistas que apenas levantam o cerco após o apoio espanhol vir em socorro das tropas liberais cercadas. O cerco, apesar de curto, fez com fosse atribuída a designação de baluarte da liberdade na Província do Alentejo a Marvão.

 

Texto: Tiago Canoso

Fotografias: Direitos reservados

Artigo publicado originalmente em maio de 2013, no número 13 da revista Descla, edição impressa