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A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) promove nesta altura do ano vários censos de aves nos quais qualquer cidadão pode participar, uma vez que em alguns casos são apenas necessários conhecimentos básicos de observação de aves.

Os censos, que dependem do apoio de voluntários de todo o país, são fundamentais para que seja possível fazer uma avaliação das populações de muitas espécies de aves selvagens e também dos seus habitats, informa a SPEA.

Os dados recolhidos servem de base para estudos científicos e projetos, designações de áreas com estatuto legal de proteção – como as Zonas de Proteção Especial, áreas da Rede Natura 2000 – e também para lutar por algumas espécies de aves que enfrentam declínios assustadores, como é o caso da rola-brava, cuja população europeia decresceu 73% nos últimos 20 anos.

Para quem gosta de passear na praia durante o inverno, o Arenaria é um projeto de censos de aves costeiras que consiste em dar um passeio ao longo da costa (em locais definidos, à partida, com a organização) e ir contando pilritos-das-praias, rolas-do-mar, e outras aves que por ali se observem. A iniciativa decorre até 31 de janeiro.

Até ao mesmo dia, as Contagens de Aves no Natal e Ano Novo são realizadas em zonas agrícolas, visando estimar as populações de espécies não-passeriformes assim como picanços, corvídeos e estorninhos.

Para os amantes de aves noturnas, o NOCTUA – Programa de Monitorização de Aves Noturnas está focado em promover o estudo e conservação de mochos, corujas (Strigiformes) e noitibós (Caprimulgiformes) em Portugal, promovendo o NOCTUA, que decorre até 15 de junho.

O Censo de Grous é um programa de monitorização realizado no Alentejo, região conhecida como zona de invernada da espécie. A primeira fase já terminou e a segunda decorre entre 20 a 22 janeiro. No último sábado começou ainda o Censo de milhafre-real invernante, que se realiza igualmente até dia 22, em todo o país.

Para além dos censos a decorrer neste momento, a SPEA coordena outros programas de monitorização ao longo do ano. Na altura da primavera estão planeadas as contagens para o Atlas das Aves Nidificantes, o projeto Chegadas, o Censo de Aves Comuns e os Censos de mantas/milhafres na Madeira e Açores.

Todos estes censos têm metodologias específicas e os interessados devem contactar previamente a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves. Os dados são inseridos online no PortugalAves/eBird e depois analisados e divulgados pela SPEA ao público.

“Estas contagens são extremamente importantes para a conservação das espécies de aves e para o trabalho da SPEA, por isso o envolvimento de voluntários motivados é fundamental para se alcançarem bons resultados”, sublinha o diretor executivo da SPEA, Domingos Leitão.

O responsável explica que a compilação e análise dos dados permite avaliar quais as espécies que se encontram em situações mais dramáticas e fazer um plano de ação para trabalhar na origem das ameaças.

“Por isso apelamos a que quem goste de natureza e queira abraçar um desafio, participe no censo com o qual mais se identifica e para o qual tem conhecimentos. As metodologias diferem de censo para censo e é provável que o grau de conhecimento do voluntário determine qual o censo em que se sente mais à vontade”, adianta.