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Desde tempos ancestrais que a aldeia de Travassos está ligada ao trabalho do ouro. Da vontade de um homem nasceu, em 2001, um museu que preserva essas tradições, que ainda hoje se mantêm.

Travassos é uma aldeia da Póvoa de Lanhoso. A sua história caminha lado a lado com a arte da ourivesaria. Aqui, todas as famílias estiveram ou estão ligadas a esta atividade, sendo por isso considerada a ”aldeia-oficina” e o berço da ourivesaria em Portugal.

Na aldeia, persistem cerca de 40 oficinas tradicionais, bem visíveis por toda a freguesia. Grandes janelas voltadas para sul, para um melhor aproveitamento da luz solar, escondem o trabalho minucioso das mãos que manejam o ouro como ninguém. São pequenas empresas onde a tradição e a arte imperam, num ofício familiar que passa de geração em geração.

Na aldeia, persistem cerca de 40 oficinas tradicionais, bem visíveis por toda a freguesia. Grandes janelas voltadas para sul, para um melhor aproveitamento da luz solar, escondem o trabalho minucioso das mãos que manejam o ouro como ninguém. São pequenas empresas onde a tradição e a arte imperam, num ofício familiar que passa de geração em geração.

Um tesouro que era urgente preservar

Ligado a esta profissão existe um património arquitetónico e material que importa preservar. Existe também toda uma memória coletiva que assenta no uso de vocabulário próprio e original, dizeres, cantares e rituais religiosos. Com vista a valorizar, conservar e dignificar o trabalho de ourives, foi dado um passo rumo ao futuro. Em 2001, foi inaugurado o Museu do Ouro de Travassos, resultado do sonho de um homem. Francisco de Carvalho e Sousa recolheu, ao longo de 50 anos de profissão, objetos de ouro, utensílios, mobiliário e bibliografia relativos à arte.

Isabel Sousa é filha deste visionário e é uma das responsáveis pela gestão do museu. “O Museu do Ouro de Travassos assume-se, em simultâneo, como um repositório de um passado e de um presente”, afirma.

“Na sua curta existência, o Museu do Ouro acolheu já várias dezenas de milhares visitantes, provenientes de países tão distintos como o Japão ou a Argentina”, acrescenta Isabel Sousa. Para além disso, a instituição organiza visitas escolares, exposições e seminários relacionados com o trabalho artesanal do ouro.

A responsável salienta ainda o facto de se tratar de “uma estrutura privada, mantida por uma só família”, mas que se instituiu já como uma das “unidades mais geradores de visitas ao concelho da Póvoa de Lanhoso”.

O Museu “mais do que um repositório da memória de uma comunidade”, pretende promover a “interação entre ourives, designers, historiadores e público em geral”, explica Isabel Sousa. O espaço engloba uma sala onde está reconstruída uma oficina dos anos 50, uma sala do ouro, uma sala de exposições temporárias e uma loja de ouro tradicional português.

A arte da filigrana

Em Travassos, a técnica de trabalhar o ouro tem um cunho único. Diz-se, embora sem certezas absolutas, que a freguesia é “a origem da filigrana em Portugal”. Ora, a filigrana é, nada mais, nada menos, uma técnica morosa e delicada de trabalhar o fio de ouro. “A existência dos três torques filigranados de Lanhoso, constitui um argumento poderoso nesse sentido”, contesta Isabel Sousa.

As peças de ourivesaria produzidas em Travassos são exclusivas e, normalmente, resultam em objetos de uso pessoal. A utilização da filigrana é o principal traço da identidade dos ourives de Travassos. “O acumular de saberes ao longo de gerações e a partilha em família de inúmeros segredos, resultaram numa forma singular de dar vida a objetos de filigrana”, afirma a responsável do Museu do Ouro.

O Museu do Ouro é a sala de visitas de uma arte que caracteriza a aldeia. Aqui, encontram-se as memórias do passado, com vista a construir as lembranças do futuro.

 

Texto: Sónia Pereira

Fotografias: cedidas pelo Museu do Ouro

Artigo publicado originalmente em setembro de 2012 no número 6 da revista Descla, edição impressa