A Universidade de Coimbra inaugura esta quinta-feira a exposição “Eis Bocage …”, composta por traduções e manuscritos que demonstram o interesse que a obra do poeta suscitava entre os contemporâneos e levanta a ponta do véu sobre as atribulações da sua edição.

A mostra, comissariada  por Daniel Pires, um dos fundadores do Centro de Estudos Bocageanos, não inclui manuscritos originais da mão do poeta, mas sim cópias manuscritas por contemporâneos de Bocage, que na impossibilidade de obter os livros impressos copiavam à mão as suas poesias, repentismos e aforismos, porque queriam conservá-los.

A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra possui parte considerável destes manuscritos, quase todos dos inícios do século XIX.

A exposição contém dois núcleos particularmente relevantes para o melhor conhecimento do poeta: as traduções, que lhe proporcionaram alguns meios de sobrevivência e onde Bocage ostentou sólidos conhecimentos de Francês, Latim e até Italiano, e os manuscritos.

Ao mesmo tempo, “Eis Bocage…” levanta uma ponta do véu sobre as muitas atribulações da edição da obra do poeta nascido em 1765, desde as impressões clandestinas das poesias eróticas e satíricas, até ao facto de chegarem a existir quatro impressões do mesmo editor e ano.

“Quantas destas não serão contrafações forjadas para satisfazer um público ávido, eximindo o editor de pagar os direitos devidos ao poeta?”, questiona a Universidade de Coimbra no lançamento da exposição, que vai ser inaugurada esta quinta-feira, às 17:00 horas, no piso intermédio da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, onde fica patente até ao dia 4 de março.