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Numa altura em que ainda se viviam as guerras da restauração da independência, o rei “teve necessidade de fazer uma estruturação dos mecanismos de defesa na raia e na zona costeira.

Nessa altura, a guerra começou a fazer-se muito no mar e havia pontos com alguma fragilidade na costa, o que obrigou à construção de fortificações”, esclarece António Barros Cardoso, Professor de História da Cidade do Porto na Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Aquele local, hoje freguesia de Nevogilde, entre a Foz do Douro e a praia de Matosinhos, parecia ser um desses “pontos de fragilidade”. Contudo, a edificação do Castelo do Queijo não foi consensual.

Obrigada a financiar o projeto, a Câmara Municipal do Porto entendia que a “defesa do Reino não deveria ser custo da autarquia mas da coroa”, explica o Professor. A par deste argumento, o facto de existirem duas outras fortificações nas proximidades, na Foz do Douro e em Leixões, e a auto defesa daquela zona devido à topografia rochosa faziam com que fosse, aparentemente, inútil a construção do Forte.

Controvérsias à parte, a verdade é que o edifício militar foi de facto erigido entre os anos de 1661 e 1662. Contudo, António Cardoso conta que o “Castelo do Queijo nunca esteve muito bem apetrechado sob o ponto de vista da resistência, nunca teve água potável (o que é um problema em caso de cerco) nem uma numerosa guarnição”. Na época, o local era isolado e a procura de mantimentos obrigava a grandes deslocações. Da mesma forma não existia serviço religioso nas proximidades, pelo que em 1751 foi nomeado um capelão residente para o Forte.

Aquando das lutas liberais na Invicta, o Castelo do Queijo foi ocupado longo tempo pelas tropas absolutistas de D. Miguel, o que resultou na destruição parcial do edifício. O Forte foi abandonado e restaurado mais tarde. Hoje está aproveitado para fins turísticos e culturais, sob a guarda da Associação de Comandos, Delegação do Norte.

O Castelo do Queijo pode ser visitado de terça a domingo das 13:00 às 17:00 horas no inverno e das 13:00 às 18:00 horas no verão.

Texto e fotografia: Catarina Cascais

Artigo publicado originalmente em outubro de 2013, no número 17 da revista Descla, edição impressa