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Medeia é uma mulher obscura que dirige um hotel singular, onde se oferecem curas de stress a traficantes e necessitados de descanso e repouso. Contudo, o Hotel Balneário Olimpo esconde um propósito bem mais maquiavélico do que a satisfação das necessidades terapêuticas do crime organizado: a vingança, traçada com paixão pela protagonista, contra aqueles que a traíram.

A peça Tráfico, que sobe ao palco da ACERT – Associação Cultural e Recreativa de Tondela no próximo sábado, recorre ao humor negro para fazer uma leitura satírica da atualidade, num mundo corrompido pelo poder e pelo dinheiro onde há traficantes de toda a espécie, de todas as coisas, de muita gente.

Com texto do dramaturgo galego Carlos Santiago e encenação do compatriota Chiqui Pereira, o espetáculo tem como pano de fundo a crise financeira e a deriva do capitalismo, resultando numa “comédia trágica, crua e obscena, onde o sangue flui sem contenção”, descreve a ACERT.

“Já na Medeia, de Eurípides, se apontava a revolta da protagonista contra a ambição desmesurada dos poderosos. Em Tráfico puxámos desse fio para pôr em foco a falta de escrúpulos deste mundo. Importa advertir que isto é mesmo só teatro… Sentai-vos nos vossos assentos, gozem o espetáculo e ganhem forças (para reagir), porque quando saírem da sala a merda vai continuar lá fora”, adverte o encenador galego.

A peça Tráfico, das companhias Baal 17 e Al Teatro, é interpretada por Bárbara Soares, Filipe Gonçalves, Filipe Seixas, Pedro Ramos e Rui Ramos.

O espetáculo tem a duração de 80 minutos e vai ser exibido a partir das 21:45 no auditório 1 da ACERT. Os bilhetes custam 7,5 € para o público em geral, havendo descontos para associados e desempregados.