"Cordeiro Místico", Josefa d'Ayala, séc. XVII. Fotografia: Direção-Geral do Património Cultural (DGPC)

O Museu de Évora vai ser promovido a museu nacional, revelou hoje fonte do gabinete do ministro da Cultura à agência Lusa, adiantando que “a decisão está tomada”, faltando apenas o parecer do Conselho Nacional de Cultura, obrigatório mas não vinculativo.

A informação é avançada numa altura em que muitos temiam que o espaço museológico passasse a ser gerido pelo município, na sequência da proposta de lei de transferência de competências para as autarquias locais, que está em discussão e que volta na quinta-feira a Conselho de Ministros.

O museu não só vai ganhar o estatuto de nacional como vai mudar de nome, não sendo ainda conhecida, no entanto, a nova designação, nem a data desta promoção.

Com a nova classificação, a eventual transferência da gestão do Museu de Évora da administração central para a câmara municipal “fica totalmente posta de parte, apesar de ser um processo paralelo”, garantiu a mesma fonte.

A alteração do estatuto deste museu, fundado em 1916, é uma reivindicação antiga com que o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, foi confrontado em dezembro, numa visita de trabalho ao Alentejo.

O governante entende que a lógica de promoção do Museu de Évora é a mesma do Museu Grão Vasco, em Viseu, que ganhou o estatuto de museu nacional em 2015. Nesse ano houve quem se manifestasse contra o facto de o de Évora não ter sido igualmente reconhecido.

O Museu de Évora possui um importante acervo, sobretudo de pintura e de escultura, que inclui muitos dos chamados “tesouros nacionais”.

O futuro museu nacional foi formalmente constituído em 1916, na sequência do plano republicano de munir cada capital de distrito de um museu público, mas tem origem numa outra instituição bem mais antiga, a biblioteca-museu criada por Frei Manuel do Cenáculo Vilas-Boas e Sampaio (1724-1814), influente intelectual do período pombalino e arcebispo de Évora, que fora já decisivo para a criação da Biblioteca Pública da Corte, mais tarde convertida em Biblioteca Nacional.

Além das importantes coleções de pintura e escultura, o acervo museológico é composto ainda por valiosas obras de arqueologia, azulejaria, ourivesaria e joalharia, paramentaria e alfaias litúrgicas, têxteis e mobiliário.

Segundo o Grupo Pró-Évora, uma associação de defesa do património da cidade, o museu detém “um conjunto patrimonial que ultrapassa em muito as dimensões local e regional e que é representativo da arte e da cultura nacionais, nos seus diversos períodos históricos”.

A associação estava contra a eventual transferência da tutela do museu para a autarquia de Évora, tendo mesmo publicado no seu site, no início de fevereiro, um texto em que explicava por que motivos essa mudança seria “inteiramente desajustada”.