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Reza a lenda que um dia, D. Ramiro, voltando cheio de sede de uma campanha guerreira, encontrou duas belas mouras, mãe e filha, que transportavam consigo uma bilha de água. D. Ramiro pediu à filha que lhe desse de beber. Esta, assustou-se e deixou cair a bilha sobre este. D. Ramiro, cego de furia por se sentir humilhado, matou-as.

Precisamente nesse momento apareceu uma criança de tenra idade, o filho e irmão das assassinadas. O cavaleiro logo ali o fez cativo e trouxe-o para o castelo. Quando chegou, o pequeno mouro jurou que se vingaria de D. Ramiro, matando a sua mulher e filha.

Tempos depois, a mulher do castelão definhou e acabou por morrer, vítima de venenos que o mouro lhe foi dando a pouco e pouco. Porém, não conseguiu matar Beatriz, a filha de D. Ramiro, porque os dois se apaixonaram.

Algum tempo depois, D. Ramiro chegou ao Castelo na companhia de um alcaide, a quem tinha prometido a mão de sua filha. Inconformados com a sorte que os esperava, o casal apaixonado fugiu sem deixar rasto.

D. Ramiro morreu pouco depois, vitimado pelo desgosto que a fuga da filha lhe causara. O castelo, abandonado, caiu em ruínas.

Dizem que, nas noites de S. João, D. Beatriz e o mouro aparecem, abraçados, na torre grande do castelo. A seus pés, D. Ramiro implora perdão, mas o mouro inflexível responde-lhe com dureza: – MALDIÇÃO!

As origens da ocupação deste local são bastante antigas e, por isso mesmo, enigmáticas. Muitos autores mencionam a possibilidade de aqui se ter instalado um primitivo reduto lusitano. Fosse como fosse, o certo é que em 1129, data da conquista deste ponto pelas tropas portuguesas, o castelo já existia e denominava-se Almorolan. D. Anfonso Henriques entregou o castelo aos cavaleiros Templários, que ficaram encarregados do povoamento do território entre o rio Mondego e o Tejo, e da defesa da então capital de Portugal, Coimbra.

Nesta fase, o castelo foi reconstruído, tendo adquirido, em linhas gerais, as suas atuais feições, muito características da arquitetura templária: espaços de planta quadrangular, muralhas elevadas, reforçadas por torres adossadas, dominadas por uma torre de menagem.

Mantendo-se quase intocável até aos nossos dias, o Castelo de Almourol apenas foi vitima de intervenções aquando do terramoto de 1755, quando a estrutura foi danificada, e foi reconstruída tendo por base a filosofia romantica da época de valorização do passado mítico da História, tendo sido acrescentado à estrutura original vários elementos decorativos, incluindo o coroamento uniforme das muralhas por ameias e merlões.

O Castelo de Almourol constitui um belíssimo marco arquitetonico e militar da época medieval portuguesa. Com traços característicos da mítica ordem dos templários, evocam os nossos sentidos a perderem-se por entre as suas muralhas envolvendo-os numa aura de mistério e romantismo. A visita a este momumento é indispensável para qualquer um que seja apaixonado pela História de Portugal…

 

Texto: João Freitas

Fotografias cedidas por Rui Silva

Artigo publicado originalmente em setembro de 2013 no número 16 da Revista Descla, edição impressa