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O jornal norte-americano The New York Times só tem palavras de elogio para o desempenho da fadista portuguesa Gisela João no primeiro festival de fado de Nova Iorque, que se realizou no último sábado.

Num artigo publicada hoje, o crítico de música Jon Pareles escreve que a cantora convocou “todo o espectro de paixões tempestuosas do fado, de melancolia silenciosa a eruptivos, ásperos e emocionantes picos, e a dolorosa resignação”.

“Cada uma das suas baladas era o seu próprio drama, uma excitante e assustadora viagem através de emoções sísmicas”, diz o especialista sobre o concerto, que classifica de “luminoso”.

Jon Pareles lembra uma frase de Gisela João – “Muitas pessoas pensam que o fado é triste. O fado não é triste. É intenso. É como a vida” – para referir que o espetáculo que aconteceu no Schimmel Center, em Manhattan, “abrangeu desde angustia desesperada até leves caprichos.”

Para o crítico do The New York Times, Gisela João é uma “tradicionalista”, mas não como “a austera e de luto cantora de fado de outras eras”. “A sua cadeira e microfone estavam enfeitados com flores garridas, e ela usava um vestido branco, curto e brilhante, com a sua própria textura de folhas. Bebericava vinho branco e fazia risonhos comentários em inglês”, descreve Jon Pareles, que nota a descontração da fadista quando tirou os saltos altos e de forma animada admitiu: “sou baixa”.

O especialista ficou particularmente impressionado com a interpretação de O Meu Amigo Está Longe, do repertório de Amália Rodrigues, um “derramar de solidão agravado por um amor sem fim”, misturado com acordes de Dream On, dos Aerosmith.

Os músicos que acompanham a fadista (Ricardo Parreira, Nelson Aleixo e Francisco Gaspar) abriram o concerto do último sábado com uma mostra de fado instrumental que, segundo o jornal americano, “apontava para o parentesco do fado com a música à volta do Mediterrâneo.”

Gisela João foi a cabeça de cartaz do primeiro festival de fado de Nova Iorque, que se realizou no fim de semana e que incluiu uma atuação da dupla portuguesa de dj’s Beatbombers, a exibição de um filme, uma palestra e uma exposição.