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O ator Ruy de Carvalho vai ser homenageado esta quarta-feira, no dia em que comemora 90 anos de idade e 75 de carreira, com um espetáculo no Casino Estoril em que participam, entre outros artistas, Rui Veloso e Dulce Pontes, além do filho e do neto do ator, João e Henrique de Carvalho.

As três gerações desta família de artistas vão protagonizar o espetáculo Trovas & Canções, que há três anos anda pelos palcos nacionais e no qual honram os poetas e os cantores portugueses.

A sessão começa às 21:00 horas, após o jantar de homenagem, marcado para as 19:30, e a inauguração da exposição “Retratos Contados do Ruy de Carvalho”, no no átrio principal do Casino Estoril.

Ruy de Carvalho nasceu em Lisboa a 1 de março de 1927 e estreou-se na representação em 1942, numa peça encenada por Francisco Ribeiro, mais conhecido por “Ribeirinho”. O seu nome está associado à primeira peça exibida na televisão portuguesa, Monólogo do Vaqueiro, de Gil Vicente, aquando da criação da RTP, em 1957, e também à primeira telenovela, Vila Faia, em 1982, realizada por Nuno Teixeira.

Formado pelo Conservatório Nacional, Ruy de Carvalho subiu pela primeira vez ao palco do Teatro D. Maria em 1947. Em 1963 assumiu a direção artística do Teatro Experimental do Porto, onde realizou a sua única experiência como encenador, em Terra Firme, do escritor Miguel Torga.

O ator trabalhou ainda em Espanha, no Teatro Monumental de Madrid, a convite do encenador Simon Suarez, e protagonizou Fígaro, de José Ramon Encinar, no Teatro Lírico La Zarzuela, também na capital espanhola.

Ruy de Carvalho estreou-se no cinema em 1951, no filme Eram 200 irmãos, de Armando Vieira Pinto. Seguiram-se Pássaros de Asas Cortadas (1963), de Artur Ramos, Domingo à Tarde (1965), de António Macedo, ou, mais recentemente, O Quinto Império – Ontem Como Hoje (2004), de Manoel de Oliveira, A Morte de Carlos Gardel, de Solveig Nordlund (2011), e A canção de Lisboa, de Pedro Varela, de 2016.

Em televisão, o ator integrou os elencos de séries e novelas como Inspetor Max, O Sábio, Massa Fresca, Bem-Vindos a Beirais, Destinos Cruzados, Louco Amor, entre outras produções.

75 anos de carreira

Entre as inúmeras distinções que conta, destacam-se os Prémios de Imprensa para o Teatro, nos anos de 1962, 1981, 1982 e 1986, os Prémios de Imprensa para o Cinema, em 1965, 1966 e 1971, e os Prémios da Crítica, em 1961, 1962, 1964, 1965 e 1981.

Em 1998 Ruy de Carvalho recebeu o Globo de Ouro Personalidade do Ano, o Prémio Luís de Camões, da Universidade Lusíada, e ainda o Prémio Byssainha da Fundação Bissaya Barreto.

Nesse ano, quando interpretava Rei Lear, de Shakespeare, para o Teatro Nacional D. Maria II, o artista anunciou a reforma, mas prosseguiu a carreira durante mais duas décadas. No ano seguinte conquistou o Globo de Ouro para Melhor Ator.

A secretaria de estado da Cultura atribui-lhe em 1990 a Medalha de Mérito Cultural. Três anos depois o artista recebeu o grau de comendador da Ordem do Infante e, em 1998 e 2010, a Comenda e o Grande Colar da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, respetivamente.

Em 2012, quando completou 70 anos de carreira, Ruy de Carvalho foi distinguido a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, que dedicou aos portugueses, por estarem a viver o “muito difícil” momento da crise económica.

A Academia Portuguesa de Cinema também vai distinguir o ator Ruy de Carvalho, com o Prémio Mérito e Excelência, na entrega dos Prémios Sophia do cinema português, no dia 22 de março.