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Das retrosarias às chapelarias, passando pelos alfarrabistas e livreiros, a história de Lisboa é rica em estabelecimentos comerciais típicos, que outrora invadiam as ruas da cidade. Os tempos mudaram e, com eles, o comércio tradicional foi perdendo fulgor.

Reconhecendo a importância deste património para a capital, o “Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa” tem a missão de defender e promover estes estabelecimentos únicos e cada vez mais raros.

“Julgamos que não haverá em Lisboa mais de 50 lojas que cumpram os critérios assumidos pelo Círculo, que não são bem o mesmo que ‘loja antiga’”, revela Paulo Ferrero, do movimento de cidadãos Fórum Cidadania Lx, promotor do “Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa”.

O objetivo deste projeto? “Apoiar, encorajar, estimular, reunir esforços e sinergias de modo a garantir a preservação, salvaguarda, viabilização presente e futura das lojas de carácter e tradição da cidade de Lisboa, divulgando-as junto do público e promovendo a sua excelência e sustentabilidade”, resume Paulo Ferrero.

Património em vias de extinção

A lista de lojas icónicas da capital que fechou portas nos últimos anos é extensa. “Esse desaparecimento é fruto de muitas coisas, sobretudo da falta de poder de compra e da mudança de hábitos”, considera Paulo Ferrero. Mas o fechar portas dos espaços deve-se também a “um certo nivelamento por baixo que tem caracterizado o comércio e sobretudo o histórico”, afirma.

À medida que as lojas tradicionais da cidade vão desaparecendo, levam com elas um património único e que contribui para a atratividade de Lisboa enquanto destino turístico. “Trata-se, em primeiro lugar, de um legado que devemos acarinhar e passar às gerações futuras, e, em segundo lugar, um motivo que orgulho para os lisboetas, para a cidade e para o país”, defende o responsável do Fórum Cidadania Lx.

“Os roteiros culturais já não passam sem as lojas. A antiguidade, a decoração, o carácter e a tradição são uma mais-valia importante, muitas vezes vital”, aponta Paulo Ferrero. Proteger e divulgar este património é uma aposta não só na preservação do passado, mas também na prosperidade do futuro da cidade de Lisboa.

Na próxima semana… acompanhe Vasco Santana, Fernando Pessoa e Mário Soares numa viagem pelas prateleiras da Chapelaria Azevedo Rua.