Chegada de Armando Rodrigues de Sá à Alemanha, em 1964. Fotografia: DR
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O livro sobre a vida de Armando Rodrigues de Sá, o português que ficou para a história como o imigrante “um milhão” a chegar à Alemanha, é apresentado hoje em Berlim. A Vida Numa Mala, da autoria da jornalista portuguesa Cristina Dangerfield-Vogt e da historiadora alemã Svenja Laender, revisita o percurso da primeira e segunda vaga de portugueses que emigraram para o país, passando pela comunidade turca que vive no país, a mais representativa dos trabalhadores estrangeiros.

Rodrigues de Sá, que em 1964 partiu de Vale de Madeiros, no distrito de Viseu, rumo à então República Federal Alemã (RFA), tem lugar nos museus e manuais escolares germânicos por simbolizar a expansão económica daquele país, mas também as mudanças culturais após o fim da Segunda Guerra Mundial. “Este senhor não é um emigrante português, ele é um símbolo da História da imigração da Alemanha e que faz a conexão a muitas outras comunidades”, realçou à agência Lusa Cristina Dangerfield-Vogt.

O carpinteiro foi um dos emigrantes que entraram na Alemanha através da celebração de contratos bilaterais entre o Governo alemão e países exportadores de mão-de-obra, como Portugal, Itália, Espanha, Grécia, Turquia, Marrocos e Tunísia nas décadas de 1950 e 1960. Quando chegou à estação de Colónia, a 10 de setembro de 1964, foi recebido por oficiais alemães que o distinguiram como o milionésimo trabalhador convidado a entrar no país, alcançando uma notoriedade no país que se estende aos dias de hoje. Rodrigues de Sá trabalhou na Alemanha até 1970, acabando por regressar a Portugal, onde faleceu em 1979.

A historiadora Svenja Laender explicou que o tema dos Gastarbeiter – os trabalhadores convidados – “é muito importante para a identidade alemã do pós-guerra e muitos alemães sabem que temos muito a agradecer aos trabalhadores que vieram para cá, porque ajudaram com o milagre económico”. A autora lembrou que quando os primeiros trabalhadores estrangeiros chegaram, apenas dez anos após o fim do conflito mundial, a Alemanha era um estado conservador, xenófobo. “Chegaram pessoas de outras culturas que trouxeram cores e sabores para a nossa sociedade”, explicou a historiadora Svenja Laender.

“Estes trabalhadores foram os percussores da ideia da Europa, sem os meios e apoios que hoje em dia temos”, destacou a jornalista Cristina Dangerfield-Vogt, acrescentando que “eram pessoas completamente sedentárias que ultrapassam medos, saíram do seu país e fizeram esta grande viagem”. O livro A Vida numa Mala, publicado pela Oxalá Editora, vai ser apresentado na Embaixada de Portugal em Berlim. Seguem-se apresentações no Porto, a 16 de abril, em Lisboa, a 19, e em Hamburgo, no dia 24 de maio.