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Das Casas Reais europeias aos recém-casados lisboetas, a Príncipe Real Enxovais é, desde 1943, sinónimo de qualidade e dedicação. O espaço mantém-se praticamente inalterado desde a sua inauguração.

A abertura da Príncipe Real Enxovais estava prevista para uma segunda-feira de 1943, mas acabou por concretizar-se dois dias antes. O motivo? As figuras da sociedade lisboeta que, regressadas de uma noite de ópera no São Carlos, se deixaram encantar pelos artigos que estavam a ser colocados na montra por Maria Cristina de Castro, a fundadora. Os produtos acabaram por esgotar nessa mesma ocasião, mas com uma condição: só seriam entregues aos clientes dentro de duas semanas, de forma a não arruinar a grande abertura e a garantir a chegada de mais artigos. O sucesso inicial deixava antever uma longa e triunfante carreira para o estabelecimento, que é, hoje, um dos mais famosos do Príncipe Real.

Foi pela mão e pela arte de Maria Cristina Castro que a casa nasceu. A fundadora da Príncipe Real Enxovais aprendeu a fazer rendas de bilros em Peniche, terra da sua mãe, onde costumava passava férias. As suas criações cedo começaram a fazer sucesso na capital, a começar por uma cliente muito especial: Amália Rodrigues, que vivia nas redondezas. Entre os fregueses mais mediáticos fazem ainda partes as famílias reais da Bélgica, Espanha, Inglaterra e até estrelas de cinema, bem como magnatas e políticos, com destaque para a família Kennedy.

O interior da loja mantém a decoração – em madeira de tons claros e com ferragens da vizinha Casa Achilles – que remonta à sua inauguração, com exceção do chão. Contudo, há aspetos que se alteraram em mais de 70 anos de história: hoje, existe apenas uma bordadora-desenhadora a trabalhar na própria loja, mas já chegaram a ser 200, divididas pelo espaço comercial, pela casa da proprietária e pela do filho. Os bordados da Madeira e do resto do país continuam a ser, por completo, fruto da arte destas profissionais.

Na próxima semana… uma viagem até à Rua das Portas de Santo Antão, onde foi inaugurada, em 1920, a Ourivesaria e Joalharia Barreto & Gonçalves.