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Foi no número 130 da Calçada da Estrela que nasceu, há mais de cem anos, a Farmácia Gama. Um espaço onde, conta-se, chegaram a ser aviadas receitas de Salazar, e que hoje continua a zelar pela saúde de lisboetas e visitantes, conservando o encanto e o charme do passado.

A história centenária da Farmácia Gama tem origem há mais de um século, quando António M. Gama Júnior fundou o espaço. A atual proprietária, Maria Luísa Carreiro da Gama Pereira, adquiriu a farmácia por trespasse depois do 25 de abril. Retornada de Angola, onde adquirira experiência na área, decidiu trazer o conhecimento e a dedicação ao ramo para Lisboa. Desde então, tem procurado conservar o interior da Farmácia Gama com os traços e o design que já a tornaram intemporal.

A única alteração de relevo no interior da loja é o teto, com cerca de 25 anos, que foi colocado depois de a estrutura original ter desabado sob o balcão. O estrago foi causado por fortes chuvadas, que inundaram o andar de cima, onde, à data, funcionava uma escola. A força do temporal não alterou a restante disposição do espaço. A sala principal permanece forrada, quase por completo, por mobiliário em madeira, do qual fazem parte balcões e armários-estantes, onde podem ser encontrados fármacos e artigos farmacêuticos.

Do Conde de Paço d’Arcos aos ministros de vários governos, a Farmácia Gama foi, antes e depois do 25 de abril, um local frequentado por altos cargos da política nacional, devido à sua proximidade ao Parlamento. Conta-se até que Salazar mandava o seu chaffeur ao estabelecimento para comprar os seus medicamentos. A memória dos fregueses, mais ou menos conhecidos, continua presente no espaço, que detém um vaso acervo de materiais e produtos farmacêuticos de antanho, muitos deles doados por clientes, oferecendo a possibilidade de acompanhar e relembrar a evolução da arte farmacêutica.