Mosteiro da Batalha. Fotografia: Lino Ramos
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O turismo acessível é um dos eixos prioritários da estratégia de turismo para os próximos 10 anos em Portugal (2017-2027). A melhoria e a diversificação da oferta hoteleira, da restauração e de operadores turísticos, assim como a qualificação de recursos humanos que trabalham directamente com o segmento da acessibilidade são alguns dos exemplos das medidas a ser tomadas.

“O desenvolvimento do turismo acessível em Portugal, para além de constituir uma obrigação social que decorre da lei em vigor, constitui igualmente uma oportunidade de negócio para as empresas turísticas”, refere Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.

Infelizmente, ainda existe muito a tendência para associar o turismo acessível apenas a pessoas com mobilidade reduzida, mas a acessibilidade é mais do que isso. “Assim, este mercado não se cinge às pessoas com deficiência, mas é, na verdade, composto por todo aquele que enfrenta ou pode enfrentar uma limitação temporária ou definitiva. Não estamos, por isso a responder a um “nicho” de mercado, mas antes a criar as condições para poder constar entre os destinos escolhidos pelos turistas com necessidades específicas”, frisa o presidente do Turismo de Portugal. Não nos podemos esquecer que a população está a envelhecer e também o turismo sénior tem de ser tido em conta.

Um mercado competitivo

No ano de 2016 Portugal atingiu valores históricos na área do turismo, que foi considerada a maior actividade económica exportadora do país (16,7%). Só na Europa prevê-se que em 2020 haja cerca de 862 milhões de viagens anuais apenas na área de turismo acessível. “Ao tornarmos Portugal num destino turístico acessível para todos, responde-se às necessidades individuais de cada visitante, oferecendo um serviço com maior qualidade e reforçando a sua atractividade e sustentabilidade, levando ao aumento do número de turistas que procuram o nosso país”, afirma Luís Araújo.

Este segmento de turistas viaja várias vezes por ano, aumentando a média de noites que permanecem num hotel e baixando o índice de sazonalidade, pois não viajam apenas no Verão. Estes factores são determinantes para aumentar a taxa de turismo em Portugal. Mercados como o Reino Unido, a França, a Alemanha, a Itália e a Espanha são de extrema importância, pois cada um deles reúne mais de 10 milhões de pessoas com necessidades específicas de acessibilidade.

Portugal tem aqui uma oportunidade de ser competitivo, pois a nível de turismo acessível na Europa, ainda há uma grande carência. Os hotéis, restaurantes e operados turísticos que apostarem no turismo acessível, estarão, assim, um passo à frente.

ALL FOR ALL

Em Setembro de 2016 foi lançado o programa ALL FOR ALL, que consiste em capacitar e adaptar o turismo português para se tornar acessível para todos. “Este Programa pretende informar, incentivar e fidelizar a procura turística através da divulgação da oferta turística acessível existente em Portugal, com recurso ao canal visitportugal e a uma campanha audiovisual, com filmes de curta duração que mostram as possibilidades de visitação em cada região turística por parte de turistas com necessidades específicas”, explica.

“Temos vindo a registar com agrado um número crescente de equipamentos culturais que apostam na acessibilidade física e comunicacional. Existem vários equipamentos premiados por essa aposta e também no âmbito da Linha de Apoio ao Turismo Acessível existe um esforço dos municípios e das entidades privadas gestoras de equipamento cultural em apresentar projectos relacionados com a adequação destes espaços a uma cada vez maior diversidade de públicos”, sublinha.

Assim, é muito importante “consolidar o nosso país como um destino turístico inclusivo”, dando seguimento ao projecto “Tornar Portugal um destino acessível para todos”, frisa Luís Araújo.

 

Leia mais na edição de Julho da revista Descla, dedicada ao turismo acessível: https://descla.pt/2017/06/20/o-turismo-pode-ser-para-todos/