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Sabugal

Dos cinco castelos, Sabugal, Sortelha, Vila do Touro, Alfaiates e Vilar Maior, o castelo do Sabugal é o maior. Era um castelo leonês, sendo que dessa altura resta apenas uma muralha interior e uma das quatro portas, que tem esferas armilares, marca de D. Manuel, altura em que foi reconstruida. O castelo que existe actualmente é obra de D. Dinis, que depois de conquistar a vila mandou fazer o castelo e a torre, que é visitável, e tem a característica de ser pentagonal. É um castelo gótico que tem um pátio de armas, um fosso e uma barbacã (muralha mais baixa e afastada que ajuda a dificultar o ataque).

Ainda hoje a zona dentro da muralha é chamada de vila, havendo muitas casas habitadas e nos últimos anos algumas foram recuperadas para turismo de habitação. Dentro do castelo haveria algumas casas, apesar do principal objectivo da fortaleza ser o refúgio quando havia batalhas. Aliás, contava-se que havia um túnel que ia até ao rio para poderem levar os cavalos a beber, se o castelo estivesse cercado.

“Torre de cinco quinas não há outra em Portugal, se não a do cimo do Coa na vila do Sabugal”. “Torres pentagonais nos castelos portugueses são muito raras e esta é um pentágono regular. Há outras que têm cinco lados, mas são um rectângulo com um bico. É ainda uma das mais altas dos castelos de Portugal”, revela Jorge Torres, Técnico da empresa municipal Sabugal Mais.

Com uma acústica óptima, o castelo tem um palco onde decorrem concertos, teatros e folclores. Nos fins-de-semana de julho decorre a iniciativa “surpreenda os sentidos”, que estreou no ano passado, sendo uma feira evocadora dos anos 20 com tascas e artesanato. Em 1926 houve o denominado Motim do Aguilhão, que foi uma revolta de agricultores, por causa dos impostos relativamente aos seus cães.

Sortelha

Reza a lenda que uma princesa cristã se apaixonou por um mouro. Era um amor proibido, encontravam-se às escondidas dos pais até que decidiram que isso não era boa solução e resolveram fugir. Durante a noite a mãe acordou, teve um pressentimento, chamou o marido e foram ao quarto da filha e ela não estava. Procuraram por todo o lado e viramos jovens a fugir encosta abaixo. Então um feitiço transformou-os em pedra e ficaram a beijaram-se pela eternidade. A pedra do beijo é um dos cartões-de-visita de Sortelha.

Sortelha foi fundada em 1228 por D. Sancho II. Com D. Dinis a fronteira afastou-se e por causa da peste que no século XIV dizimou grande parte da população, a zona ficou com graves problemas. Em Sortelha, tal como no Sabugal e Vilar Maior, houve no século XIV, XV coutos de homiziados (terras dadas a criminosos, que não fossem assassinos, para poderem cultivar e viver. Em troca teriam de defender a terra se fosse necessário) com o objectivo de tentar fixar população nas zonas junto à fronteira.

O D. Manuel teve alguma preocupação com os castelos fronteiriços, tendo feito reconstruções de edifícios. O pelourinho é manuelino, há uma série de casas que ainda hoje podem ser vistas com janelas manuelinas. As casas com dois pisos eram muito comuns. O piso inferior servia para guardar os animais, era uma forma de aquecer a casa.

No cimo da muralha quando está sol pode ver-se a serra da Estrela. O castelo tem uma cisterna e uma torre de menagem separada da torre. Enquanto que no Sabugal a torre de menagem ajudava a proteger em caso de ataque, em Sortelha esta torre era o último refúgio. Quem visitar a muralha entre as 10:00 e as 11:00 da manhã num dia de sol, pode ver inscrições gravadas na pedra. Dizem que haveria ali uma porta para uma possível fuga. Ao longo dos tempos houve casas que foram construídas ao longo da muralha mas que depois foram demolidas por questões de segurança. Com casas era mais fácil alguém saltar a muralha e passar despercebido.

Em Sortelha há um fim-de-semana, por volta do 20 de Setembro, em que se realiza uma espécie de feira medieval, denominada “muralhas com história”, que dura três dias. Também o Iberfolk se tem realizado na localidade nos últimos anos.

Vila do touro

Pouco resta do castelo de Vila do Touro. Há duas versões quanto à construção desta fortaleza, uma conta que o castelo ainda estava a ser feito, a fronteira afastou-se e não o terminaram. A outra afirma que os habitantes da Guarda, quando começaram a ver o castelo começaram a sentir-se ameaçados porque podiam estar a roubar-lhes território e destruíram-no. O que é certo é que para além da muralha, só resta uma porta e um amontoado de pedras, que não se sabe se seria uma torre. Segundo algumas pessoas mais velhas, o passatempo das crianças há alguns anos atrás era vir para aqui atirar pedras muralha abaixo, o que ajudou à destruição da muralha.

A fortaleza será do século XIII, de origem portuguesa. “O que isto tem de interessante é ser um cabeço, a forma como a muralha se adapta ao relevo. Também há zonas onde o próprio terreno serve de muralha”, frisa Jorge Torres.

Alfaiates

O castelo de Alfaiates data do século XVII e denuncia a presença árabe. “O nome alfaiate não tem nada a ver com a profissão, a versão mais credível é a palavra árabe que significa ‘o muro’”, refere Jorge Torres. Isto seria fortificado do tempo árabe, depois foi leonês, até ao D. Dinis. Há quem diga que o castelo medieval seria perto da actual igreja da misericórdia, mas outros defendem que seria ao pé da igreja matriz. Braz Garcia de Mascarenhas, capitão de Alfaiates, foi responsável durante a restauração pela construção deste castelo, por isso é que é completamente diferente, é um castelo do século XVII a pensar na artilharia. A planta da fortaleza são dois quadrados, o interior tem em dois vértices as duas torres, que estão ambas arruinadas e há outro quadrado à volta. Uma das esquinas tem as aberturas onde poderiam ser colocadas as armas de fogo. Quando Braz Garcia de Mascarenhas fez as obras diz-se que encontrou muros que seriam do D. Manuel e que encontrou o muro dos romanos que é possível que fosse a tal fortificação árabe.

Braz Garcia de Mascarenhas foi muito importante na defesa do país. Teria uma rede de espionagem muito eficaz, e ele próprio se disfarçou nas localidades mais próximas do lado de lá da fronteira para poder observar como eram as defesas. Os espanhóis vinham cá e roubavam os bois e Braz Garcia de Mascarenhas atacava e exigia a devolução. Inclusivamente tinha vias de acesso aos chefes militares e muitas vezes nem chegavam a haver combates. Só que foi substituído no comando e foi acusado de traição. Alegaram que se ele conseguia contactar tão bem com os espanhóis é porque estava feito com eles e então foi preso na torre do castelo do sabugal.

Conta-se que pediu qualquer coisa para ler e lhe deram um livro. Ele foi recortando as letras desse livro e escreveu uma carta ao rei a explicar o que se tinha passado, a denunciar que tinha sido injustamente condenado. Tendo a carta chegado às mãos do rei este libertou Braz Garcia de Mascarenhas, que terminou a sua vida em Avô, de onde era natural. “O que é lenda e o que é história não se sabe”, sublinha.

Grande parte das muralhas não estão visíveis, pois houve casas que aproveitaram parte da fortaleza para a sua construção. Ainda hoje há um mercado tradicional junto às muralhas, tal como antigamente.

Vilar Maior

Sabe-se que Vilar Maior já teve presença humana desde a proto-história, pois foram encontrados muitos vestígios dessa época perto da igreja matriz. Na encosta ocidental do castelo foi encontrada nos anos 50 uma espada proto-histórica que está no museu da Guarda. Este castelo era dos que estavam mais próximos da fronteira. A muralha de Vilar Maior é leonesa, mas a torre de menagem é portuguesa. No período leonês houve uma segunda cerca da muralha, da qual ainda resta uma porta e um pequeno troço.

O castelo era de refúgio da população. Há uma gravura do século XVII que representa uma construção, no verão passado os arqueólogos andaram a escavar. Pelos desenhos que existem da época poderia ser um edifício de dois pisos, o que já era relevante, mas tirando isso nunca houve ali mais habitação permanente de ninguém. Dentro da muralha existe uma cisterna. Vilar Maior na terceira invasão francesa foi saqueada.

O concelho do Sabugal tem esta vantagem de nos castelos podemos acompanhar a evolução da idade média, princípios do século XIII, os românicos, em Vila do Touro, apesar de estar incompleto, e Sortelha. O castelo gótico do sabugal e depois aqui um castelo que está muito incompleto que teria também os seus baluartes na muralha do século XVII, XVIII.

 

Texto: Ana Margarida Gomes

Fotografia: Tiago Canoso