Fotografia: Tiago Canoso
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O carro ficou no largo que é também um miradouro. Saímos à procura do Poço do Inferno. Pela estrada envolta em narcisos, vidoeiros, azinheiras, tramazeiras e teixos, reparamos nas escarpas rochosas, íngremes e até assustadoras. Esses cumes mais altos são formados pelas rochas corneanas, fenómeno que ocorre quando o magma quente e plástico ascende atravessando as rochas pré-existentes.

É aí que nascem linhas de água como a cascata de nome obscuro, com cerca de dez metros. Para chegar ao riacho e ao ponto onde cai a água há que descer uma escadaria e saltar pedregulhos num equilíbrio periclitante. No Verão é um bom sítio para banhos, mas em Invernos mais rigorosos o leito chega a congelar. Estamos no ex-líbris do concelho de Manteigas e da Serra da Estrela.

Fotografia: Tiago Canoso

A Rota do Poço do Inferno começa no seu ponto mais baixo, a 1081 metros de altitude, mas há-de terminar nos 1150. Não dá para fazer de bicicleta, mas por serem apenas 2,5 quilómetros de caminhada atrevemo-nos a dizer que não faz mal. E a pé apreciamos melhor a paisagem sobre o magnífico Vale Glaciar do Zêzere e o Vale da Ribeira de Leandres.

Para além do teixo, extremamente raro e que só se encontra em Manteigas e na Serra da Peneda-Gerês, aina encontramos árvores tão singulares como o plátano-bastardo, a faia, o pinheiro-do-oregon e o abeto.Com sorte havemos de nos cruzar com uma raposa, um coelho-bravo, um guarda-rios, um peneireiro, uma lagartixa do mato ou uma salamandra-lusitânica…

 

Leia mais na edição especial da revista Descla dedicada aos trilhos verdes de Manteigas