Fotografia: Tiago Canoso
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Seguimos o rasto do glaciar que desenhou a paisagem de Manteigas. Ao olharmos para o Vale Glaciar do Zêzere imaginamos o gelo a escorrer das montanhas e a seguir em direcção ao que é hoje a vila. A língua de gelo principal chegava a atingir 300 metros de espessura. A sua força era tal que arrastava enormes blocos de rocha, como o grandioso Poio do Judeu, com cerca de 150 m3 de granito e mais de 500 toneladas, que jaz no alto da Nave de Santo António.

No fundo do vale glaciar, um dos maiores da Europa, com 13 quilómetros de extensão, há algumas construções típicas da serra, os “cortes”, casas de pedra com telhados em colmo de palha de centeio ou giesta, bem como casas da guarda-florestal. Rebanhos de cabras e ovelhas deliciam-se em pastos verdejantes. O pastoreio e a agricultura de montanha tiveram que adaptar-se às exigências do território da Serra da Estrela, assim como a fauna e flora.

Fotografia: Tiago Canoso

O cuco, o corvo e a águia-real são algumas das espécies que sobrevoam a zona, vigiando lá do alto o lince, a lebre ou o famoso cão Serra da Estrela, companheiro inseparável de muitos pastores. Várias espécies de flores e árvores pontuam a paisagem, dos eixos centenários às belas tramazeiras, com as inconfundíveis bagas de cor vermelha que parecem cerejas e dão para fazer uma geleia de gosto intenso.

Fotografia: Tiago Canoso

Ao percorrer a Rota do Glaciar podemos ver ainda a Senhora da Boa Estrela, no Covão do Boi, uma escultura religiosa dos anos 40, o Bairro fabril, junto da antiga fábrica de lanifícios, a Igreja de São Pedro, já na Vila de Manteigas, ou a Estância Termal das Caldas de Manteigas, cujas águas sulfurosas são indicadas no tratamento de várias doenças, como reumatismo, dermatoses, vias respiratórias e doenças musco-esqueléticas.
Leia mais na edição especial da revista Descla dedicada aos trilhos verdes de Manteigas