Fotografia: Tiago Canoso
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Uma das melhores formas de descobrir a beleza natural de Manteigas é em duas rodas. E não, não é de mota, mas de bicicleta, pois por mais cómodo que seja aquele transporte, sobretudo no Verão, nunca permitirá sentir este território como ele merece. Ao subir a montanha compreendemos um pouco do que passam aqueles ciclistas na etapa rainha da Volta a Portugal.

Manteigas é conhecida como a “capital do BTT”, recebendo inúmeras provas ao longo do ano. Além dos profissionais, muitos outros se aventuram no asfalto, em calçadas ou caminhos de terra batida.

Os percursos estão organizados em cinco rotas. A primeira, a da Lapa, é a mais fácil: seguimos em direcção à vila pelo caminho da Lapa, regressando depois ao centro de BTT, num trajecto de 7,5 quilómetros.

A Rota do Sameiro, de nível moderado, já tem 14,5 quilómetros, mas vale a pena percorrê-los para descobrir a Ribeira de Leandres, cuja água atravessa o Poço do Inferno, a famosa cascata natural com cerca de dez metros, bem como a povoação do Sameiro com as suas casas em xisto e granito e que ainda conserva um forno comunitário.

O Vale Glaciar, o “monumento” natural mais importante de Manteigas, dá nome à terceira rota, a primeira de nível “difícil”, destinada, por isso, a “praticantes experientes”. O início é semelhante ao do percurso anterior, mas este, depois de chegar ao Poço do Inferno, sobe até aos Poios Brancos, passa pela à Serra de Baixo e pela Lagoa Seca e depois começa a descer, alcançando o Covão d’Ametade e o vale glaciar, até chegar à vila, ao fundo deste, num total de 32,6 quilómetros.

Igualmente difícil é a Rota do Corredor de Mouros (33,8 quilómetros), que, entre outros locais, nos leva até ao Miradouro da Azinha, de onde podemos ver a Torre – ponto mais alto de Portugal Continental –, bem como todo o maciço central da Serra da Estrela. Mais abaixo fica a Mata de S. Lourenço, ocupada por faias que dão uma sombra impagável nos dias mais quentes. Além da boa preparação física, o único requisito para fazer este percurso é levar água em quantidade suficiente, pois quase não há locais para reabastecimento.

Já se imaginou a pedalar ao longo de mais de 65 quilómetros? É isso que propõe a Rota das Penhas Douradas, a única de nível “muito difícil”. A primeira metade é muito parecida com o percurso anterior, mas agora somos conduzidos ao Covão da Ponte, conhecido pelas suas pastagens, campos de cultivo e árvores resinosas. Deixamo-nos embalar pelos chocalhos dos rebanhos e pelo barulho da água do Mondego e da sua nascente, o Mondeguinho. Depois de alcançarmos as Penhas Douradas começamos a descer até à vila de Manteigas.

 

Leia mais na edição especial da revista Descla dedicada aos trilhos verdes de Manteigas