O conjunto de seis órgãos é uma das principais atracções do Palácio Nacional de Mafra
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Um concerto a seis órgãos e coro encerra hoje à noite as comemorações dos 300 anos do início da construção do Real Edifício de Mafra, o mais importante monumento barroco português.

O programa do espectáculo, marcado para as 22:00 horas, inclui um conjunto de secções do ordinário da missa, de um autor anónimo do século XVIII, que o compôs propositadamente para a Real Basílica de Mafra, bem como parte das melodias de Cantochão e a Sinfonia para a Real Basílica de Mafra de António Leal Moreira, composta por ocasião da conclusão do actual conjunto organístico, em 1807.

O concerto vai contar com a participação do Coro Voces Caelestes e dos organistas Sérgio Silva, Inês Machado, David Paccetti Correia, Margarida Oliveira, Diogo Rato Pombo e Daniela Moreira, sob a direcção de Sérgio Fontão.

Devido à elevada afluência, o momento musical vai ser transmitido em directo através de ecrã gigante instalado no exterior da Basílica, revela a Câmara de Mafra.

O espectáculo desta noite culmina um ano intenso de comemorações e de uma sexta-feira que logo pela manhã teve a conferência “Do Tratado à Obra: Génese da Arte e da Arquitectura no Palácio de Mafra”, com a presença de diversos investigadores nacionais e estrangeiros.

Às 18:00 horas vai ser apresentada a revista Monumentos’35, cuja edição é integralmente dedicada ao Real Edifício de Mafra nas suas vertentes histórica, artística e arquitectónica, e pelas 19:00 vai ser inaugurada a exposição “Do Tratado à Obra: Génese da Arte e da Arquitectura no Palácio de Mafra”, que evoca a génese do pensamento e da cultura artística e arquitectónica barroca, o desenho do arquitecto João Frederico Ludovice, a competência construtiva de Custódio Vieira, engenheiro-mor do reino, e a arte presente na construção.

O rei D. joão V mandou construir o Palácio Nacional de Mafra supostamente para cumprir um voto de sucessão, embora alguns historiadores admitam que possa ter sido para agradecer a cura de uma doença de que sofria.

A primeira pedra foi lançada no dia 17 de Novembro de 1717. O edifício, projectado pelo arquitecto e ourives alemão João Frederico Ludovice, ocupa uma área de perto de quatro hectares (37.790 m2) e tem 1200 divisões, mais de 4700 portas e janelas, 156 escadarias e 29 pátios e saguões.

A obra é decorada por uma notável colecção de esculturas e pinturas de mestres portugueses e italianos, bem como dois carrilhões com 98 sinos, os maiores daquela época. Todo este luxo foi pago com o ouro que vinha do Brasil, nessa altura uma colónia portuguesa, e contribuiu para dar ao rei o cognome pelo qual ficou conhecido, “O Magnânimo”.

As comemorações do tricentenário começaram há precisamente um ano, com um concerto da Banda Sinfónica do Exército, que interpretou obras de compositores como Strauss, Haendel, Tchaikovsky ou Verdi, sincronizadas com fogo-de-artifício lançado do monumento.

Ao longo destes 12 meses, o programa incluiu visitas à Tapada Nacional, conferências, lançamento de livros, concertos, encenação de uma peça de teatro, visitas subterrâneas a locais vedados ao público e exposições.

O programa dos 300 anos do Palácio Nacional de Mafra é organizado pela Direcção Geral do Património Cultural/ Palácio Nacional de Mafra, Câmara Municipal de Mafra, Escola das Armas, Paróquia de Mafra e Tapada Nacional de Mafra.