Quinta das Cruzes, no Funchal. Fotografia: Direcção Regional do Turismo da Madeira
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Uma árvore é um monumento? Sim, responderão muitos, lembrados das histórias que os antepassados contavam de namoros e brincadeiras em redor daquele sobreiro ou castanheiro e de como essa árvore é antiga, tão antiga que ninguém recorda ser pequena. Neste Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, a Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas convida a visitar o Plátano hybrida Brot, situado no Hospital Pulido Valente, em Lisboa, uma maravilha natural com mais de 350 anos, cerca de 30 metros de altura e outros tantos de diâmetro, que está classificada como Árvore de Interesse Público desde 1945. Este é apenas um dos mais de 600 eventos que compõem o programa deste ano, subordinado ao tema “Património Cultural: de geração em geração”. Entre visitas gratuitas a monumentos, concertos, recriações históricas, espectáculos de teatro, exposições, jogos e actividades infantis, há muito para fazer em todo o país.

Mais para sul, o município de Reguengos de Monsaraz convida habitantes e turistas para uma visita nocturna à histórica vila de Monsaraz, a “sentinela do Guadiana” conquistada aos mouros por Geraldo Sem Pavor, em 1167.

Em Silves, os visitantes são desafiados para um jogo de pistas no castelo, tendo de desvendar os mistérios de cada etapa de forma a concluírem a prova com êxito. Durante as comemorações da efeméride, que se prolongam até 22 de Abril, vários restaurantes propõem menus especiais, inspirados em receitas históricas.

Rumando a norte, no Porto vai realizar-se uma maratona fotográfica sobre o património da cidade. As imagens têm que ser a preto e branco e o concurso é aberto a todo o público.

Vila Nova de Cerveira, por seu lado, convida a descobrir um pequeno templo rural que recentemente foi recuperado, a Capela de Santa Luzia de Campos, referência da arquitectura românica e gótica em Portugal.

As ilhas também comemoram o Dia Internacional dos Monumentos e Sítios. No Pico, a proposta é “Um dia na fábrica”. Nesta actividade, o público vai poder ouvir o testemunho e a experiência de um antigo trabalhador da Fábrica da Baleia. À medida que a visita avança, vai-se seguindo o percurso de um dia de trabalho.

No Funchal, destaca-se a visita à Quinta das Cruzes, onde terá vivido João Gonçalves Zarco, descobridor e primeiro capitão donatário da ilha da Madeira. Trata-se de um espaço emblemático, onde existe o museu de artes decorativas, a Capela de Nossa Senhora da Piedade, belos jardins com diversas variedades de plantas exóticas e algumas peças de grande valor arquitectónico.

A Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) prevê a adesão de 100 mil pessoas às diferentes actividades. O tema deste ano, “Património Cultural: de geração em geração”, assenta no pressuposto de que de que “é necessário conhecer para preservar e preservar para transmitir” num presente “assombrado por contradições e incertezas, em que a cultura pode constituir um capital fundamental para um futuro mais justo e mais diverso” revela a DGPC.

A celebração acontece em pleno Ano Europeu do Património Cultural, uma iniciativa que a União Europeia assinala pela primeira vez e que tem como objectivo “chamar a atenção para o papel da cultura e do património no desenvolvimento social e económico” do velho continente e nas suas relações externas, “e motivar os cidadãos para os valores comuns europeus”, pode ler-se no site do evento.

O programa, aberto e em permanente actualização, prevê mais de 800 actividades, destacando-se 257 visitas livres/orientadas e rotas patrimoniais, 161 encontros e congressos, 122 exposições, 108 ateliers, 77 espectáculos e “muitas outras iniciativas, como lançamentos de publicações, festivais, campanhas de informação, animações de rua, concursos, recriações históricas, actividades de investigação, projectos digitais, documentários/filmes e sessões de leitura”, revela a DGPC, que estima “mais de 250 mil participantes”.