No ano de 1938, em Pindelo, nasceu o rancho de Pindelo de Silgueiros que nas décadas de 40 e de 50 granjeou fama devido à qualidade das suas danças e cantigas, sendo prova disso mesmo, a sua participação, por várias vezes, nas Marchas da Aldeia, que tinham como palco principal a Feira de São Mateus.
O início da guerra colonial e o fluxo migratório para os países europeus foram factores predominantes para que o grupo interrompesse a sua actividade, de 1959 a 1978. Nesse ano, em condições mais favoráveis, o rancho folclórico reapareceu, dotado de personalidade jurídica, sendo, desde então, um dos mais dignos representantes da Beira Alta.
Um grupo etnográfico que se caracteriza como aquele que recolhe, estuda e divulga todos os aspectos da cultura tradicional e popular de Pindelo de Silgueiros. O seu historial regista inúmeras actuações em festas, feiras, romarias, certames culturais, jantares, recepções oficiais, festivais nacionais e internacionais de Folclore e algumas presenças nas televisões portuguesas e brasileiras.
As danças interpretadas pelo grupo são de cariz simples, sem coreografias demasiado complicadas, como sempre foi na Beira Alta: danças de roda com poucas marcações. As cantigas de raiz campesina transportam-nos para vários ambientes: Amor, Namoro, Saudade, Infortúnio, Beleza Feminina, Trabalho, Romaria, Sátira Popular, Mundo Religioso. A tocata inclui os seguintes instrumentos: acordeão, violino, bandolim, viola, cavaquinho, bombo e ferrinhos.
Trajes remontam ao século XIX
O Rancho Folclórico de Pindelo de Silgueiros tem características próprias que ajudam a identifica-lo como tal: é popular, a sua tradição passa de geração em geração pela oralidade e não outra, são aceites por toda a comunidade e não apenas por alguns.
Os seus trajes, são cópia fiel dos utilizados em finais do século XIX e princípios do século XX, destacando-se: Os Domingueiros, os Romeiros, os de Noivos, os de Lavradores, Ricos, os de ir ao sermão e os de trabalho.
O Rancho Folclórico de Pindelo de Silgueiros assume-se como o principal “responsável pela organização anual de dois eventos com grande projecção cultural na região, o Festival de Folclore da Beira Dão e o encontro de cantadores de janeiras da Beira Dão”.
O rigor e a verdade, com que o grupo etnográfico de Pindelo interpreta o folclore e as tradições etnofolclóricas da região, permitiram-lhe ser admitido como membro efectivo da Federação Folclórica de Portugal, sendo assim, um passaporte para participar no festival Europeade.
Texto: Carolina Brilhante
Leia a nossa edição dedicada à Europeade