Quadro de Bento Sargento
Publicidade

“Os artistas ingénuos estão longe das academias e dos seus códigos, mas não da sabedoria; distantes da chamada arte culta, mas encontram-se no coração, no âmago da própria Cultura; longe das especulações intelectuais, mas não afastados da emoção profunda e incorruptível da gente simples. São profundamente verdadeiros, visceralmente humanos”. As palavras são do reconhecido crítico de arte espanhol Tomás Paredes e definem bem os artistas da exposição que o Casino Estoril inaugura no próximo sábado, dia 28 de Julho, no XXXVIII Salão Internacional de Pintura Naïf.

Na edição deste ano participam 19 autores, entre os quais dois novos talentos: a inglesa Deborah Collens, que desde 2011 escolheu o Algarve para morar, e o português Antero Anastácio, nascido em Peniche, cidade na qual se inspira para criar os seus coloridos trabalhos.

Segundo o Casino Estoril, os artistas responderam de forma positiva à Direcção da Galeria de Arte, que fez um apelo para que o evento primasse por “trabalhos de qualidade e autenticidade naïf”.

A 38ª edição vai homenagear Fernanda Azevedo, professora reformada do ensino secundário, nascida no concelho de Mirandela. Esta artista tem um currículo vastíssimo, no qual se destaca a participação em importantes salões de pintura naïf em diversas cidades europeias.

“As suas obras distinguem-se por uma linguagem própria, característica dos grandes artistas, tendo como temas preferidos Lisboa e os seus emblemáticos locais históricos, Cascais e a sua lindíssima baía”, revela o Casino Estoril, destacando que Fernanda Azevedo tem mantido ao longo dos anos uma “consistente qualidade” na elaboração das suas obras, o que a torna “numa das principais referências da pintura naïf em Portugal”.

“A arte dos inocentes”

A arte naïf surgiu no século XIX para designar o trabalho de artistas autodidactas que inventavam um jeito pessoal de expressar suas emoções. O percursor deste movimento foi o pintor francês Henri Rousseau (1844-1910), quando expôs suas obras no “Salão dos Independentes” na França, em 1886. A tela “Um dia de Carnaval” (Un soir de Carnaval-1886) chamou a atenção de vários artistas modernistas da época, entre os quais Pablo Picasso.

A palavra naïf é um termo francês que significa ingénuo ou inocente. A “arte naïf” baseia-se, assim, na criatividade autêntica, que tende a simplificar os elementos decorativos e a não respeitar o formalismo académico.

A espontaneidade faz lembrar os desenhos feitos por crianças ou doentes mentais, o que torna esta arte alvo de algum preconceito. No entanto, as obras são feitas por artistas independentes e autodidactas, ainda que sem formação sistemática, e que dominam algumas técnicas, as quais lhes permitem total liberdade de expressão.

Quadro de Antero Anastácio

“De modo nenhum, podemos concordar com aqueles que afirmam que os pintores naïfs são aqueles que não sabem pintar. Antes pelo contrário, são aqueles que pintam como sabem, provenientes das mais diversas profissões e classes sociais”, sublinha a Direcção da Galeria de Arte.

Apesar do “informalismo académico”, este estilo criativo influenciou e deixou-se influenciar por tendências mais eruditas, pois vários pintores contemporâneos, com sólida formação académica, usaram procedimentos da arte naïf nas suas criações.

O Salão Internacional de Pintura Naïf é inaugurado no sábado, às 17 horas, na Galeria de Arte do Casino Estoril, onde vai ficar patente até 11 de Setembro. A entrada é livre.